OURO NEGRO

OURO NEGRO

(Ouro Negro)

2008 , 115 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 11/12/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Isa Albuquerque

    Equipe técnica

    Roteiro: Ana Lucia Andrade, Diana Nogueira, Duba Elia, Isa Albuquerque

    Produção: Isa Albuquerque

    Fotografia: Juarez Pavelak

    Trilha Sonora: David Tygel, Flávia Ventura

    Distribuidora: Pandora

    Elenco

    Almir Martins, Chico Díaz, Clara Mendonça, Cris Bittencourt, Daniel Dantas, Danton Mello, David Hermann, Dorgival Júnior, Felipe Kannemberg, Felipe Latgé, Henrique Pires, Letícia Botelho, Luisa Curvo, Malu Galli, Maria Ribeiro, Marília Passos, Odilon Wagner, Raoni Ferreira, Thiago Fragoso, Totoni Fragoso, Walter Rosa

  • Crítica

    03/12/2009 15h05

    Isa Albuquerque tinha um desafio complicadíssimo ao fazer Ouro Negro: contar a saga do desenvolvimento do petróleo no Brasil, desde a década de 1920, a partir da teimosia de Pedro Gosh (Odilon Wagner), personagem inspirado na vida do pioneiro José Bach.

    No meio do caminho entre objetivo e realização existe uma série de escorregões no filme. O primeiro deles é o anseio em contextualizar todos os fatos em um roteiro episódico. Já que a trama abarca cerca de 40 anos da história brasileira, os personagens tentam, por meio das falas, reconstituir períodos, como a gripe espanhola que vitimou o então presidente Rodrigues Alves, o voto feminino, a construção do Cristo Redentor. Didatismo incômodo que aproximam o longa de um telefilme.

    O segundo dos escorregões é a atmosfera de artificialidade que permeia Ouro Negro, seja pela direção de arte ou interpretação dos atores. Danton Mello, que interpreta o pupilo de Gosh, tem entonação teatral e fala para uma plateia, não a espectadores de cinema. Felipe Kannenberg, que vive Otto Manheimer, responsável por sabotar as tentativas de prospecção em solo brasileiro, tem um sotaque que mistura inglês e alemão, mas o perde ao longo do filme.

    Até mesmo Chico Diaz, cujo currículo é recheado de boas atuações (Amarelo Manga, O Sol do Meio Dia, Os Matadores), tem toda sua mise-en-scène tolhida e massacrada por um personagem-tipo, um militar malvado.

    O terceiro dos escorregões é utilizar um triângulo amoroso chato e plástico para não deixar o espectador fugir do filme. Assim, o roteiro de Isa Albuquerque, Duba Elia, Diana Nogueira, Ana Lúcia Andrade coloca o desenvolvimento do petróleo em paralelo com o romance de Danton Melo, Luiza Corvo e Maria Ribeiro. O trio parece um núcleo da novela Força de um Desejo.

    O anacronismo da direção de atores chega ao ápice do inaceitável quando Maria Ribeiro, que interpreta a vanguardista Camila Camargo Mattos, defensora do volto feminino, entrega um panfleto para Luísa Gosh Martins (Luiza Curvo). Não parece uma abordagem militante mas uma colega convidando a outra com um flyer para ir à balada.

    Ouro Negro é uma sequência de deslizes que passa pelo roteiro, direção de atores, trilha sonora e direção de arte. Um erro, ainda mais se compararmos com outra epopeia do petróleo, Sangue Negro.

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