PACTO DE JUSTIÇA

PACTO DE JUSTIÇA

(Open Range)

2003 , 139 MIN.

Gênero: Ação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Kevin Costner

    Equipe técnica

    Roteiro: Craig Storper

    Produção: Craig Storper, David Valdes, Kevin Costner

    Fotografia: James Muro

    Trilha Sonora: Michael Kamen

    Estúdio: Walt Disney Pictures

    Elenco

    Abraham Benrubi, Annete Bening, Diego Luna, james Russo, Kevin Costner, Robert Duvall

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Ufa, finalmente parece que Kevin Costner está tirando o pé da lama. O ator/diretor/produtor foi dos céus aos infernos hollywoodianos num curto espaço de tempo, administrando uma carreira esquizofrênica que alternou momentos de sucesso total (Dança com Lobos, Robin Hood) com períodos do mais intenso fracasso (Waterworld, O Mensageiro, O Mistério da Libélula). Seria inimaginável pensar, há alguns anos, que o astro de Os Intocáveis e O Campo dos Sonhos chegaria a ter filmes lançados diretamente em vídeo aqui no Brasil, como foi o caso do sofrível 3000 Milhas para o Inferno. A permanência ou não de Costner no panteão dos deuses e semideuses cinematográficos estava na dependência dos resultados de seu novo projeto - Pacto de Justiça - que chega neste final de semana nos cinemas brasileiros. E a boa notícia é que, pelo visto, Kevin ganhou uma sobrevida no mundo do cinema: o filme é ótimo. E fez dinheiro.

    Atuando como ator, produtor e diretor, Kevin Costner retoma em Pacto de Justiça o bom e velho filme de faroeste. Grandioso, épico, com personagens muito bem construídos, e o resgate do tradicional - e questionável - senso de justiça do povo americano: na base das armas e da pancadaria. Ele faz o papel de Charley, um vaqueiro introspectivo, caladão, que trabalha há dez anos para Boss (Robert Duvall) tocando rebanhos de gado pelo ainda inexplorado oeste americano. Junto com os empregados Button (o mexicano Diego Luna, de E Sua Mãe Também) e Mose (Abraham Benrubi), eles formam um grupo unido pela confiança, amizade e dignidade... ainda que os quatro sequer conheçam os nomes completos e verdadeiros de seus próprios colegas. É um mundo de poucas palavras, de horizontes largos (a fotografia do estreante James Muro é belíssima) e atitudes honestas. Pelo menos até o momento em que esta harmonia é quebrada pelos capangas de Baxter (o irlandês Michael Gambon, de Charlotte Gray e Assassinato em Gosford Park), um poderoso fazendeiro que não permite vaqueiros itinerantes nas proximidades de sua cidade. Como em dezenas de outros westerns, o conflito se estabelece colocando de um lado o pequeno grupo de "heróis" que aprendemos a gostar nos primeiros 15 minutos da trama, e do outro o inescrupuloso e corrupto empresário local que domina o xerife da cidadezinha. Maniqueísmo? Não. O roteiro do também estreante em cinema Carig Storper, baseado num velho livro de Lauran Paine, tem o cuidado de mostrar os "mocinhos" como gente comum, que também têm fraquezas, desejos de vingança, e passados comprometedores. Esqueça os cowboys de camisa xadrez limpinha e belos lenços amarrados no pescoço. Sujos, mais ou menos feios e um pouco malvados também, Boss e Charley estão muito mais para Sérgio Leone que para Roy Rogers. Para o bem da veracidade e da credibilidade do filme.

    Totalmente filmado em belíssimas locações no Canadá, utilizando uma equipe de figurinhas menos carimbadas da indústria hollywoodiana, e levantando dinheiro diretamente do próprio bolso de seus produtores (Kevin Costner, Jake Eberts e David Valdes), Pacto de Justiça tem porte de filme caro, que parece ter custado muito mais que os US$ 26 milhões que de fato custou. Com direito a romance entre mocinha e mocinho, belas cavalgadas a céu aberto e - claro - um violento tiroteio final, o filme é de encher os olhos e cativar a atenção de todos. Não será surpresa se o bom e velho Kevin Costner - que recusou o convite de Tarantino para atuar em Kill Bill justamente para tocar este seu projeto próprio - der as caras na próxima festa do Oscar, no ano que vem. Afinal, num país onde o presidente é texano e adora um tiroteio, o western pode estar renascendo pela enésima vez.

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