PALERMO SHOOTING

PALERMO SHOOTING

(Palermo Shooting)

2008 ,

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Wim Wenders

    Equipe técnica

    Roteiro: Norman Ohler, Wim Wenders

    Produção: Gian-Piero Ringel, Wim Wenders

    Fotografia: Franz Lustig

    Estúdio: Neue Road Movies

    Elenco

    Alessandro Dieli, Dennis Hopper, Francesco Guzzo, Giovanna Mezzogiorno, Milla Jovovich, Patti Smith

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Uma salada que mistura um fotógrafo com cara de punk alucinado, citações a O Sétimo Selo e Blow Up - Depois Daquele Beijo, diálogos pseudo-filosóficos na linha carpe diem, cenário paradisíaco completamente isolado do filme e um protagonista que transpira pós-modernismo. Isso é Palermo Shooting, novo filme de Wim Wenders, em exibição na Mostra.

    O longa disputou a Palma de Ouro em Cannes este ano. Foi vaiado. E faz muito sentido a reação do público do festival. O novo filme está longe, muito longe, do desempenho de Paris, Texas ou Asas do Desejo, sem citar o documentário Buena Vista Social Club.

    A câmera segue constantemente o fotógrafo Finn (Campino), famoso por seus trabalhos, mas com um vazio existencial imenso. Depois de ser questionado por uma modelo em um ensaio fotográfico, Finn parte para a Palermo, na Itália, em uma viagem interior.

    Se a trilha é uma atração à parte e as imagens agradam aos olhos por conta das paisagens, os diálogos, as citações, a dramaturgia ficam a desejar. Wenders desfila um rol imenso de citações que ficam "jogadas" no filme. A começar por Blow Up - Depois Daquele Beijo, cujo trecho do ensaio fotográfico é abordado pelo cineasta alemão para criticar o vazio da imagem. "Tudo é superfície", nas palavras do fotógrafo sem essência, Finn.

    Assumidamente atraído pelo tema da morte, Wenders parte de sua admiração por Bergman e reconstitui, numa versão moderna, o diálogo de Antonius Block com a Morte de O Sétimo Selo. Para um cineasta que encarna o cinema e que vai ficar para a História como um dos grandes nomes, as cenas chegam a ser sofríveis. A interpretação de Dennis Hopper como a Morte tenta segurar o texto, mas a tarefa é árdua.

    Sobra ainda espaço para um surrealismo de Buñuel para representar as alucinações que Finn tem com a morte. Aliás, ela, sempre ela, persegue o fotógrafo pelas ruas de Palermo com uma flecha, em referência a uma pintura do fim da Idade Média.

    A questão que fica é: depois de uma década de 80 extremamente criativa - duas premiações mais uma indicação em Cannes - e uma década de 90 com O Fim da Violência, para onde vão caminhar os próximos filmes de Wim Wenders? A expectativa é que fiquem longe, muito longe, de Palermo Shooting.

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