PÃO E TULIPAS

PÃO E TULIPAS

(Pane e Tulipani)

2000 , 112 MIN.

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Silvio Soldini

    Equipe técnica

    Roteiro: Doriana Leondeff, Silvio Soldini

    Produção: Daniele Maggioni

    Fotografia: Luca Bigazzi

    Trilha Sonora: Giovanni Venosta

    Elenco

    Antonio Catania, Bruno Ganz, Felice Andreasi, Giuseppe Battiston, Licia Maglietta, Marina Massironi, Tatiana Lepore, Vitalba Andrea

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Não confunda os títulos. Pão e Tulipas é um romance italiano, dirigido por Silvio Soldini. Nada a ver com Pão e Rosas, drama inglês de Ken Loach.
    A sonoridade do título original – Pane e Tulipane – não funciona em português, mas mesmo assim o filme merece ser assistido. Principalmente pelos corações mais românticos. A história retoma o velho tema do “jogar tudo para o alto e tentar nova vida”. Desta vez, porém, a partir de um início, no mínimo, inusitado: Rosalba (Licia Maglietta) é uma mulher de classe média, igual a tantas outras donas de casa. Cuida dos filhos, do marido, dos afazeres domésticos e segue sua trajetória simplista sem maiores questionamentos. Até o dia em que – por incrível que pareça – ela é esquecida dentro de um restaurante à beira da estrada. Isso mesmo, esquecida, como um objeto qualquer. De um minuto para outro, Rosalba se vê, ao mesmo tempo, magoada pelo descaso, mas por outro lado com infinitas possibilidades de vida se descortinando à sua frente. O ato de esquecimento é também um ato de liberdade.
    Conformada, ela aproveita a oportunidade para conhecer Veneza, circular por suas ruas e vielas sem nenhuma responsabilidade. Se deixar levar pelo acaso de quem não tem mais hora certa para colocar o jantar na mesa.
    Não sem motivos, Pão e Tulipas é um filme que vem agradando mais ao público feminino que ao masculino, nas pré-estréias realizadas nas últimas semanas. Bem recebido na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, trata-se de um obra extremamente simples, despojada, mas que toca fundo em temas importantes, como liberdade, questionamento do cotidiano e, sem querer parecer filosófico demais, no próprio sentido da vida. Nem que este “sentido” esteja presente em atos tão simples e cotidianos como cuidar do pão da família ou cheirar uma tulipa numa floricultura veneziana.
    Terno e sensível, o filme é uma pequena poesia, repleta do sentimentalismo latino tão caro a nós, brasileiros. Curta de coração aberto, mas sem esperar demais.

    17 de janeiro de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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