PARANOID PARK

PARANOID PARK

(Paranoid Park)

2007 , 81 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 25/01/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gus Van Sant

    Equipe técnica

    Roteiro: Blake Nelson, Gus Van Sant

    Produção: Charles Gilibert, Nathanaël Karmitz, Neil Kopp

    Fotografia: Christopher Doyle, Kathy Li

    Estúdio: MK2 Productions

    Elenco

    Daniel Liu, Gabe Nevins, Grace Carter, Jake Miller, Joe Schweitzer, Lauren McKinney, Taylor Momsen, Winfield Jackson

  • Crítica

    25/01/2008 00h00

    Depois de voltar suas lentes à turbulenta vida de Kurt Cobain em Últimos Dias (2005) - cujo lançamento foi bastante restrito no Brasil -, o cineasta norte-americano Gus Van Sant volta a focar a juventude de seu país em Paranoid Park.

    Assim como Elefante (2003), este filme é basicamente ambientado nos corredores de uma escola de Ensino Médio. Mas, além desse ambiente, o protagonista do novo longa de Van Sant transita pelo dos skatistas. Alex (o estreante Gabe Nevins) tem 16 anos e leva uma vida sem destaques. Até descobrir Paranoid Park, uma grande pista onde os jovens skatistas da cidade se reúnem para praticar o esporte. É exatamente lá que ele toma contato com o que mudará sua vida para sempre.

    Não adianta contar muito sobre a trama de Paranoid Park. Baseado em livro escrito por Blake Nelson, o roteiro gira em torno dessa culpa de toma conta do protagonista. E isso Gus Van Sant sabe fazer como ninguém. Ele reúne as características essenciais para transformar esta história num filme marcante, no mínimo: a facilidade ao entender as questões relacionadas aos adolescentes e aos seus sentimentos ambíguos. De forma sensível, honesta e precisa, Van Sant trabalha as imagens magistralmente para passar ao espectador uma idéia do turbilhão de sentimentos que ocupa a mente do protagonista.

    Ao escolher a narrativa em primeira pessoa, baseada numa carta que Alex escreve a uma amiga explicando o acidente, Van Sant conduz o espectador no mesmo ritmo não-linear que a mente humana funciona. Passado e presente se misturam no longa-metragem da mesma forma ocorrida na cabeça do narrador. De uma maneira envolvente e complexa, o diretor revela, aos poucos, o que aconteceu, afinal, em Paranoid Park.

    Trabalhando a trilha sonora com precisão - misturando rap, rock-and-roll, música clássica e incidental -, o diretor observa com atenção o protagonista, cujo semblante mistura o tédio extremo de sua vidinha medíocre à culpa abismal. Alex não é um adolescente normal: aparentemente solitário, sente-se mais à vontade com seu diário do que com sua bela namorada, um troféu com o qual qualquer adolescente adoraria desfilar. Calado, expressa no olhar gelado o distanciamento com o qual parece encarar a vida.

    Os longos planos-seqüência conduzidos por Van Sant já são marca registrada de seu estilo. Os closes dão a impressão de uma intimidade desenvolvida entre o espectador e os personagens. Ao mesmo tempo, ele capta com precisão a forma como adolescentes agem. O diretor passa longe dos clichês, tão facilmente repetíveis, na construção desde retrato único.

    Ao mesmo tempo, Paranoid Park não é o tipo de filme que agrada às platéias mais jovens. É um trabalho de arte complexo, que precisa de maturidade para ser digerido, a mesma que o aclamado diretor apresenta neste seu novo longa-metragem.

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