Pôster Parasita

PARASITA

(Parasite)

2019 , 132 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 07/11/2019

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Joon-ho Bong

    Equipe técnica

    Roteiro: Jin Won Han, Joon-ho Bong

    Produção: Joohyun Lee, Joon-ho Bong, Kwak Sin-ae, Yang-kwon Moon, Young-Hwan Jang

    Fotografia: Kyung-Pyo Hong

    Trilha Sonora: Jaeil Jung

    Estúdio: Barunson E, CJ E, CJ Entertainment, TMS Comics

    Montador: Jinmo Yang

    Distribuidora: Pandora Filmes

    Elenco

    Andreas Fronk, Hye-jin Jang, Hyo-shin Pak, Hyun-jun Jung, Ik-han Jung, JaeWook Park, Jeong Esuz, Jeong-eun Lee, Ji-hye Lee, Ji-so Jung, Joo-hyung Lee, Kang Echae, Kang-ho Song, Keun-rok Park, Myeong-hoon Park, Seo-joon Park, So-dam Park, Sun-kyun Lee, Woo-sik Choi, Yeo-jeong Jo

  • Crítica

    03/02/2020 17h01

    Por Thamires Viana

    Saber falar sobre desigualdade não é uma tarefa fácil, principalmente nos cinemas. Qualquer passo apressado no roteiro pode soar pedante e até insensível. Mas para Bong Joon Ho, diretor sul-coreano, retratar a vida de ricos e pobres nas telonas é como uma costura de poesia com realidade brutal. Em seu recente Parasita, filme que concorre à estatueta de Melhor Filme no Oscar, ele conta sua história nos detalhes e insere sua grandiosa crítica social nas entrelinhas de um roteiro imprevisível.

    À primeira vista a trama pode soar simples: os quatro membros da família Kim estão desempregados, mas o filho mais novo começa a dar aulas privadas de inglês à primogênita da família Park. Fascinado com o estilo de vida luxuoso, ele insere seus pais e sua irmã em um plano para se infiltrar na residência burguesa. A mãe vira governanta, a irmã passa a dar aulas de arte para o caçula, enquanto o pai se torna o fiel motorista do casal.

    Mas sabemos que a simplicidade do diretor conhecido por Okja e O Expresso Do Amanhã é explicita de maneira visual, já que os diálogos de seu roteiro são intensos e cortantes. Disposto a entregar um filme sem definir seu gênero, Joon Ho inicia sua trama como uma comédia rasgada, cheia de simbolismos para a família de classe baixa: Eles vivem em uma casa com nível abaixo do asfalto enquanto fazem pequenos 'bicos' para uma pizzaria garantindo o sustento do mês. Os filhos lutam pelo wi-fi enquanto se apertam ao lado do vaso sanitário, único espaço onde encontram sinal. A degradação do lar é evidente, assim como o desejo e a expertise dos quatro para sair daquela situação.

    Se no início Parasita se mostra aberto para diferentes interpretações às suas críticas sociais, no decorrer de seus 132 minutos ele vai mudando sua forma de expor a desigualdade e conduz seu público para um único caminho: engolir a seco a realidade brutal de viver em uma sociedade dividida. Enquanto as cenas mostram a casa arquitetada e espaçosa da família Park e o cubículo inabitável dos Kim, vemos as semelhanças que Joon Ho quer inserir. Ambas possuem quatro membros: mãe, pai, uma filha mais velha e um filho mais novo. Não tem como saber se sua intenção era trazer uma singela lembrança de Nós, terror de Jordan Peele, e talvez só os mais atentos tenham sacado a semelhança entre as produções que retratam a vida de famílias acima e abaixo do asfalto – figura e literalmente - vivendo em contraditórias situações.

    Enquanto os Kim se infiltram entre os Park, cada diálogo é taxado de tensão e expectativa, e é provável que neste momento o público já esteja torcendo para um final feliz. No entanto, o diretor sul-coreano almeja ainda mais realidade em seus momentos cruciais e traz plot twists certeiros no segundo ato, fazendo a trama seguir nos trilhos do suspense e – porque não? – do terror.

    Se o filme traz em evidência o ótimo roteiro e direção, as atuações também complementam o sucesso do longa. A sinergia presente entre os oito membros principais do elenco mostra o excelente trabalho de estudo e preparação exercido por eles antes das filmagens.

    Parasita é um filme brutal que expõe sua verdadeira essência nos detalhes. É uma crítica afiada ao capitalismo e à falta de empatia da sociedade. É um retrato cortante e cheio de angústia sobre oportunidades e a falta delas. E, claro, é um dos maiores acertos do cinema em 2019!



Deixe seu comentário
comments powered by Disqus