PARVIZ

PARVIZ

(Parviz)

2012 , 105 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Majid Barzegar

    Equipe técnica

    Roteiro: Bardia Yadegari, Hamed Rajabi, Majid Barzegar

    Produção: Saeed Armand

    Fotografia: Amin Jafari

    Elenco

    Homeira Nonahali, Levon Haftvan, Mahmoud Behrouzian

  • Crítica

    20/10/2012 20h15

    Notamos que há algo de errado com Parviz, o personagem que dá título ao filme, logo nos primeiros minutos de projeção. O diretor Majid Barzegar ressalta no áudio a respiração ofegante do protagonista, um homem obeso de 50 anos para o qual atos simples, como levantar da cama ou dar um telefonema, parecem fastigiosos demais.

    A respiração difícil e incômoda de Parviz irá nos acompanhar ao longo de todo o filme, denotando não apenas as dificuldades físicas de um homem gordo, mas o fardo duro demais de carregar que é sua própria vida. Há algo de errado com Parviz, mas não é sua condição física.

    Apesar da idade avançada, ele ainda mora com o pai e nunca teve um emprego ou mulher na vida. Vive do pouco dinheiro que ganha prestando pequenos favores no condomínio onde mora, como levar cachorros para passear ou as crianças dos vizinhos à escola. Na casa do pai, com quem tem uma relação distante, é quase como um empregado. Faz a comida, lava a louça e limpa a casa.

    Este é o mundo de Parviz, a realidade que conhece e a qual está resignado a viver. A reviravolta vem quando seu pai resolve se casar novamente e pede para que deixe o apartamento. Seu mundo, sustentado em frágeis alicerces, desaba. Como uma criança, ele simplesmente não aceita a situação. Mas não há aqui arroubos de histerismo ou revolta. Parviz vai lidar com a situação à sua maneira, de forma equivocada e surpreendente.

    Tudo isso surge na tela aos poucos. Estamos falando de um filme iraniano e a narrativa aqui é fleumática. Os diálogos são poucos e a câmera se demora sobre os momentos, os detalhes. E são por meio deles que vai se descortinando um personagem do qual não sabemos se temos pena, repulsa ou ódio. Os sentimentos se misturam diante de alguém repleto de contradições e camadas.

    Há no filme de Barzegar um problema mal resolvido. A entrada em cena de um adolescente, filho da vizinha do novo lugar onde Parviz vai morar quando tem de deixar a casa do pai. Sua participação na história parece ter um propósito maior, que descobriremos adiante. Mas não é isso o que acontece e, ao final, conclui-se que seria totalmente dispensável à trama.

    O estorvo que representa um homem com Parviz numa sociedade que não o aceita e o despreza por sua condição o faz investir contra essa mesma sociedade. Ele foi moldado assim, no passado, por quem o criou. As particularidades não sabemos, nem o filme tem a necessidade de explicar. Isso fica a cargo da imaginação do espectador. Mas Parviz sabe (ou acha) que a culpa não é sua e vai atrás de um acerto de contas.


    SESSÕES DA MOSTRA

    Parviz

    21/10 - Cinemark Eldorado - Sala 7 (19h)
    27/10 - Reserva Cultural (15:40)


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