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PASSAGEIROS

(Passengers, 2016)

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04/01/2017 12h41
por Daniel Reininger

Passageiros coloca dois dos atores mais requisitados (e quentes) de Hollywood juntos em uma nave espacial, onde se encontram totalmente sozinhos, livres para viver um intenso romance, interrompido apenas quando a aeronave começa a ter problemas. Não tem como um filme assim ser ruim, certo? Errado.

Na trama, Jim (Chris Pratt) e outras milhares de pessoas estão numa viagem de 120 anos até um novo planeta, onde participarão dos esforços de colonização do local. O problema é que a cápsula de hibernação do protagonista apresenta problemas, algo impossível de acontecer em teoria, e ele acorda 90 anos antes de chegar ao seu destino.

Desesperado, passa a viver sozinho na nave. Essas cenas lembram muito Náufrago, mas ao invés da ilha deserta, ele está numa nave de luxo. Deprimido, tudo mundo em sua vida quando Aurora (Jennifer Lawrence) acorda e eles passam a viver uma linda história de amor. Ou não.

ATENÇÃO: Abaixo vamos discutir um elemento da trama que é spoiler, só siga adiante se não tiver problemas com isso. Você foi avisado.

O clima de romance é brutalmente interrompido por uma pesada questão moral introduzida cedo na trama, mas que deveria ter um peso muito maior na história e nas motivações dos personagens: O fato de Jim escolher, ficar obcecado e eventualmente acordar Aurora contra a sua vontade, colocando-a numa posição em que ela é forçada a aceitar seu novo destino, efetivamente acabando com sua vida.

Essa decisão moral e suas consequências deveriam ser o ponto central da trama. Entretanto, é apenas um pequeno motivo de tensão, sempre minimizado por diálogos e atitudes dos personagens. De fato, o longa explora um pouco a reação de Aurora ao descobrir a verdade, mas sempre de forma rasa. Se esse elemento fosse melhor explorado, o filme ganharia relevância e qualidade.

Quando essa questão parece que vai ser abordada como deveria, o longa muda de gênero e se torna uma obra Hollywoodiana básica e repleta de clichês sobre corrida contra o tempo para salvar uma nave condenada à destruição. Com direito a momentos de romance em meio à morte certa. Já vimos isso muitas vezes antes, certo? Certo, então o longa precisava se destacar pela qualidade e isso não acontece.

O longa repete momentos vistos em dezenas de filmes de premissa similar, mas que ficam ainda piores pelo fato de os personagens parecerem ter esquecido da situação abusiva e deprimente vivida por Aurora, obrigada a viver com o homem que destruiu sua vida. O foco, então, se torna sobreviver.

Com isso, Jim escapa da terrível situação que criou sem grandes repercussões e ainda é Aurora que corre atrás para reatar o romance. Não faz sentido nenhum essa situação se resolver magicamente e chega a ser ridículo, diante de algo tão absurdo. A resolução patética da crise técnica da nave e os atalhos tomados pelo roteiro para isso são outros graves problemas.

Para compensar, o longa tem uma boa ambientação futurista, que é bastante convincente, e uma nave incrível com interessantes ambientes para o casal explorar. Os efeitos em geral estão na média, mas uma cena em especial, a de Aurora na piscina durante uma falha na gravidade artificial, é simplesmente genial e apenas reforça a sensação de potencial desperdiçado. A trilha sonora de Thomas Newman é outro acerto.

Passageiros começa muito bem, apresenta um mundo interessante e introduz uma grande questão moral que deveria ser o centro da história. Entretanto, o longa se perde, não sabe qual gênero seguir e desanda de forma absurda quando se torna uma aventura rasa e cheia de clichês. Jennifer Lawrence e Chris Pratt funcionam juntos e garantem carisma e boas atuações, mas nem eles são capazes de salvar essa produção de si mesma.

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Daniel Reininger

Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

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