PASSAPORTE PARA A VIDA

PASSAPORTE PARA A VIDA

(Laissez-Passer)

2002 , 170 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Bertrand Tavernier

    Equipe técnica

    Roteiro: Bertrand Tavernier, Jean Cosmos

    Produção: Alain Sarde, Frederic Bourboulon

    Fotografia: Alain Choquart

    Trilha Sonora: Antoine Duhamel

    Estúdio: France 2 Cinéma

    Elenco

    Charlotte Kady, Denis Podalydès, Jacques Gamblin, Maria Pitarresi, Marie Gillain

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    A arte está intrinsecamente ligada a vida e, como esta, persiste em florescer nos lugares mais improváveis. A França ocupada pelos alemães durante a Segunda Guerra, por exemplo, era um desses lugares inóspitos para a atividade artística. O mundo estava em guerra, Hitler avançava com suas tropas e os cidadãos franceses amargavam os reveses do conflito no dia-a-dia, como a fome, o desemprego e a indignidade de ver sua nação subjugada. É nesta época de incertezas que se ambienta o longa Passaporte para a Vida (Laissez-passer), de diretor Bertrand Tavernier, que estréia nesta sexta-feira 9 no País.

    Tarvernier queria fazer um filme que se passasse durante a ocupação e tivesse como pano de fundo a produção cinematográfica. Para isso, cruzou as vivências de dois personagens reais, o roteirista Jean Aurenche e o diretor Jean-Devaivre, e extraiu de suas experiências um surpreendente e elucidativo panorama sócio-artístico-político do período.

    No filme, Aurenche (Denis Podalydès) e Devaivre (Jacques Gamblin, vencedor do prêmio de Melhor Ator em Berlim pelo papel), sem vêm num dilema constante: continuar a fazer o que amam ou se recusarem a contribuir com os alemães. Com o país em crise, uma das poucas opções de trabalho está no estúdio Continental, de propriedade alemã. O pragmático Devaivre, assistente de direção na época, une o útil ao agradável ao aceitar um emprego no estúdio. Além de conseguir alguma renda para a família, lá é o lugar perfeito para camuflar sua atividade clandestina na resistência. Aurenche, mais impulsivo e rebelde, tenta a todo o custo não aceitar um trabalho dos alemães, enquanto se vê as voltas com sua agitada vida amorosa. Para ajudar um amigo, acaba aceitando trabalhar para a Continental e descobre ser possível fazer resistência com uma caneta na mão.

    Em torno deles, outros diversos personagens pontuam o filme com suas histórias peculiares de luta. Uns se dedicando com afinco à profissão - driblando as adversidades e falta de recursos como maneira de manter o orgulho vivo-, outros se arriscando em atividades subversivas e de contestação, e tantos mais apenas preocupados com a próxima refeição do dia. O filme não os julga, apenas os retrata.

    Bertrand desenvolve todo esse emaranhado de relações e sentimentos com calma, tudo a seu tempo. A cada minuto do filme, que corre sem pressa, o espectador vai se envolvendo com os diversos personagens e se ambientando com o momento vivido por eles. Nada é linear e previsível, assim como a vida incerta das pessoas retratadas no filme. Ao final, temos uma bela homenagem aos cineastas, roteiristas, técnicos e atores que fizeram cinema em terreno estéril com criatividade e força de vontade.

    Seria uma injustiça não mencionar: merece destaque a ótima fotografia de Alain Choquart, que dá o tom exato do clima sufocante e de falta de perspectivas da época, e o excelente elenco feminino.

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