PAULO GRACINDO - O BEM AMADO

PAULO GRACINDO - O BEM AMADO

(Paulo Gracindo - O Bem Amado)

2007 , 84 MIN.

Gênero: Documentário

Estréia: 30/04/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gracindo Júnior

    Equipe técnica

    Roteiro: Gracindo Júnior

    Produção: Daniela Gracindo

    Fotografia: Gracindo Jr.

    Estúdio: Gracindo Júnior Participações e Empreendimentos

    Distribuidora: Filmes do Estação

    Elenco

    Cláudio Cavalcanti, Daniel Filho, Eva Wilma, Lima Duarte, Milton Gonçalves e Max Nunes, Paulo José, Renato Fróes

  • Crítica

    30/04/2009 00h00

    Sente-se na poltrona e se prepare para ser apresentado à trajetória de um homem que atravessou diversas fases da arte da interpretação e, por muitas vezes, deu novos parâmetros a ela. Essa pessoa é Pelópidas Guimarães Brandão Gracindo, ou Paulo Gracindo para a arte brasileira, o objeto de veneração no documentário Paulo Gracindo - O Bem Amado.

    É bem provável que as maiores lembranças que o público tenha do ator sejam de seus personagens nas novelas da década de 70, especialmente o lendário Odorico Paraguaçu de O Bem Amado (1973) e Tucão de Bandeira Dois (1972). O documentário fez a feliz escolha de sair do lugar comum e percorrer as diferentes fases do ator.

    A opção por mostrar a desenvoltura de Paulo ao longo dos anos é determinada pelo diretor do documentário, Gracindo Jr., seu filho e também ator. Apenas uma pessoa como ele poderia se aproximar tão intensamente do artista, do pai e se devotar intensamente a mostrar, tim tim por tim tim, o peso que Paulo tem.

    Óbvio que faz isso de maneira apaixonada, o que nem sempre é o melhor resultado. Cioso por esmiuçar até a infância do ator, o começo do documentário é excessivamente linear e bem menos interessante que o restante. Quando Gracindo Jr. se entrega à organização aleatória da imagem de seu pai e coloca sua arte no contexto brasileiro, Paulo Gracindo - O Bem Amado chega a um resultado que concilia importância documental com criatividade artística.

    Paulo Gracindo era um artista mutante. Na explosão radiofônica, popularmente conhecida como a Era do Rádio (entre as décadas de 30 a 50), ele migrou para programas de auditório à Cesar de Alencar. Em 1951, protagonizou a maior rádio novela da história, O Direito de Nascer. Também nesse mesmo veículo, deu vida ao quadro Primo Rico, Primo Pobre, ao lado de Brandão Filho - esquete que viria parar na televisão e, trinta anos depois, seria reeditado pelo Zorra Total.

    Depois do teatro e rádio, Gracindo deu mais um salto. No cinema, teve boas parcerias com Leon Hirszman em A Falecida (1965) e Glauber Rocha em Terra em Transe (1967). Aí veio a telinha e o tapete vermelho se estendeu a ele. A telenovela popularizou o talento já consagrado no rádio e no teatro. Um tempo em que Fernanda Montenegro, que dá depoimento no longa, define assim: "Antes existiam personagens, hoje há apenas desenhos de personagens".

    Há também uma interessante análise do nem sempre interessante Arnaldo Jabor, que explica como o ator, com quem trabalhou no filme Tudo Bem (1978), atravessou todos os tipos da arte da interpretação. O longa também conta causos, como a inspiração ao personagem do Primo Rico, destaque do programa Balança, Mas Não Cai, e pérolas, como o encontro de Paulo com o cabeludo Roberto Carlos.

    Ao mesmo tempo, o documentário é resultado do olhar de filho para pai. Gracindo Jr. recorre aos versos da canção Naquela Mesa para explicar a relação entre eles: "naquela mesa ele contava histórias/que hoje na memória eu guardo e sei de cor". É justamente essa relação e o peso do nome de Gracindo Jr. que permite o acesso às filhas e a personalidades como Daniel Filho, Paulo José, Eva Wilma, Renato Fróes, Cláudio Cavalcanti, Lima Duarte e Max Nunes.

    Paulo Gracindo - O Bem Amado é um feliz e mais que oportuno retrato de Gracindo Jr. Como documento, seria ainda mais interessante se fosse programado nos cinemas ao lado de As Cantoras do Rádio, que estreou em dezembro. Ambos complementariam um período de, no mínimo, quarenta anos do Brasil: a força do rádio e a consolidação da televisão.

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