PEARL HARBOR

PEARL HARBOR

(Pearl Harbor)

2001 , 183 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Michael Bay

    Equipe técnica

    Roteiro: Randall Wallace

    Produção: Jerry Bruckheimer, Michael Bay

    Fotografia: John Schwartzman

    Trilha Sonora: Hans Zimmer

    Estúdio: Jerry Bruckheimer Films, Touchstone Pictures

    Elenco

    Abe Sylvia, Alec Baldwin, Andrew Baley, Andrew Bryniarski, Angel Sing, Ben Affleck, Ben Easter, Benjamin Farry, Beth Grant, Blaine Pate, Brandon Lozano, Bret Roberts, Brett Pedigo, Brian D. Falk, Brian Haley, Cary-Hiroyuki tagawa, Catherine Kellner, Chad Morgan, Christopher Stroop, Colm Feore, Cory Tucker, Cuba Gooding Jr., Curtis Andersen, Dan Aykroyd, Daniel Mays, David Hornsby, David Kaufman, Eiji Inoue, Eric Christian Olsen, Estevan Gonzalo, Ewen Bremner, Fred Koehler, Garret Sato, Glenn Morshower, Graham Beckel, Greg Zola, Guy Torry, Howard Mungo, Ian Bohen, Jaime King, James Saito, Jason Liggett, Jaymee Ong, Jeff Wadlow, Jennifer Garner, Jesse James, John Diehl, John Fujioka, John Howry, John Padget, John Pyper-Ferguson, Jon Voight, Joseph Patrick Kelly, Josh Ackerman, Josh Green, Josh Hartnett, Joshua Aaron Gulledge, Kate Beckinsale, Ken Goth, Kevin Wensing, Kim Coates, Leland Orser, Lindsey Ginter, Madison Mason, Marco Gould, Mark Noon, Mark Panasuk, Marty Belafsky, Matt Casper, Matthew Davis, Michael Gradilone, Michael Milhoan, Michael Shamus Wiles, Michael Shannon, Nicholas Downs, Noriaki Kamata, Pat Healy, Patrice Martinez, Paul Francis, Peter Firth, Peter James Smith, Ping Wu, Precious Chong, Randy Oglesby, Raphael Sbarge, Reiley McClendon, Rob McCabe, Robert Jayne, Rod Biermann, Rodney Bursiel, Ron Harper, Rufus Dorsey, Sara Rue, Scott Wilson, Scott Wiper, Sean Faris, Sean Gunn, Seiki Moriguchi, Seth Sakai, Stan Cahill, Steve Rankin, Sung Kang, Tak Kubota, Ted McGinley, Thomas Wilson Brown, Tim Choate, Tom Everett, Tom Sizemore, Tomas Arana, Tony Curran, Toru Tanaka Jr., Toshi Toda, Vic Chao, Vincent J. Inghilterra, Will Bowden, Will Gill Jr., William Fichtner, William Lee Scott, Yuji Okumoto

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    A crítica americana já apelidou Pearl Harbor de “O Titanic do ano 2001”. Será mesmo? Provavelmente não. Por um lado, o apelido é perfeitamente compreensível. Assim como Titanic, Pearl Harbor também conta uma história de amor fictícia, ambientada numa mega tragédia real. Assim como Titanic, Pearl Harbor também é uma superprodução impressionantemente recheada de efeitos especiais de última geração. Porém, a trama de Titanic é muito melhor. Parece totalmente improvável que Pearl Harbor supere o filme de James Cameron em bilheteria, número de prêmios Oscar, comoção e catarse coletiva. Principalmente por causa da fragilidade do seu roteiro, que se assemelha a um dramalhão mexicano.

    A história se passa em 1941, quando a Europa já está em Guerra, mas os Estados Unidos ainda não. Líderes europeus acusam o presidente Roosevelt (muito bem interpretado por Jon Voight, numa maquiagem bastante convincente) de ficar em cima do muro.

    Enquanto isso, Rafe (Ben Affleck, de Mais Que o Acaso), um jovem aviador americano, se apaixona perdidamente pela bela enfermeira Evelyn (a inglesa Kate Beckinsale). Exímio piloto, Rafe é convidado pela RAF (o trocadilho é infame, mas inevitável) para lutar na frente européia, do lado dos ingleses, já que os americanos continuam se mantendo fora do conflito. Para o desespero de Evelyn, Rafe aceita o convite e – literalmente – vai à luta. Nem é preciso dizer que a bela enfermeira está servindo o exército exatamente na base militar de Pearl Harbor, no Havaí.

    A partir daí, muita água vai rolar debaixo dos porta-aviões, já que todo bom estudante de história sabe que em 7 de dezembro de 1941 o Japão desferiu um mega ataque contra Pearl Harbor, matando mais de 2 mil americanos e provocando finalmente a saída dos EUA de cima do muro da guerra.

    A representação cinematográfica deste ataque é a melhor coisa do filme. Graças ao que há de mais moderno em maquetes, imagens geradas por computador e efeitos mais do que especiais, a batalha é recriada em 35 impressionantes minutos. Todos os 140 e tantos milhões de dólares investidos na produção ficam visíveis na tela. A cena onde um ponto de vista virtual acompanha a queda de uma bomba japonesa até o convés de um navio americano já pode ser considerada antológica. Aviões passam chispando na altura dos olhos do espectador. A movimentação é alucinante. Mas nada disso é suficiente para encobrir a fragilidade do roteiro escrito por Randall Wallace, o mesmo roteirista de O Homem da Máscara de Ferro e Coração Valente. O melodramático corre solto, o desenvolver das ações é previsível e o carisma dos personagens e atores é desperdiçado numa história rala. A direção de Michael Bay (o mesmo de Armaggedon) privilegia o espetacular e o espetaculoso e falha quando o assunto é sutileza. Fica claro que o projeto foi desenvolvido dentro de propósitos unicamente comerciais e técnicos, deixando a sensibilidade e a arte cinematográfica em segundo plano. Uma pena!

    Nem vale a pena discutir o aspecto patriótico do filme. Ou alguém duvidava que – como sempre – os americanos heróis seriam pintados como mocinhos limpinhos e os japoneses bandidos seriam mostrados como traiçoeiros criminosos? Isso já era mais que esperado.

    É lastimável, porém, que os produtores norte-americanos ainda não tenham conseguido aliar técnica com conteúdo, efeitos especiais com sensibilidade fílmica, computadores com linguagem cinematográfica. Percebe-se claramente em Pearl Harbor a intenção de ser compreensível e consumível por todo e qualquer tipo de público, nivelando a história por baixo e eliminando qualquer detalhe que eventualmente pudesse não ser inteligível para a grande massa da população consumidora de ingressos de cinema.

    No final de praticamente três horas de projeção, fica a sensação de desperdício. A nítida impressão de que Jerry Bruckheimer e seus colegas, buscando única e exclusivamente a bilheteria fácil, perderam uma grande chance de entrar para a história do cinema. O filme memorável que os impecáveis trailers de Pearl Harbor prometiam ficou apenas na intenção.

    E agora? Quem se habilita a ser “o Titanic do ano 2002?”

    29 de maio de 2001

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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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