Pôster de Pelos Olhos de Maisie

PELOS OLHOS DE MAISIE

(What Maisie Knew)

2012 , 99 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 10/01/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • David Siegel, Scott McGehee

    Equipe técnica

    Roteiro: Carroll Cartwright, Nancy Doyne

    Produção: Charles Weinstock, Daniel Crown, Daniela Taplin Lundberg, William Teitler

    Fotografia: Giles Nuttgens

    Trilha Sonora: Nick Urata

    Estúdio: 10th Hole Productions, Dreambridge Films, KODA Entertainment, Red Crown Productions, Weinstock Productions

    Montador: Madeleine Gavin

    Distribuidora: Esfera Filmes

    Elenco

    Alexander Skarsgård, Amelia Campbell, Diana Garcia, Emma Holzer, Jesse Stone Spadaccini, Joanna Vanderham, Julianne Moore, Maddie Corman, Nadia Gan, Onata Aprile, Paddy Croft, Sadie Rae, Samantha Buck, Steve Coogan, Trevor Long

  • Crítica

    09/01/2014 19h47

    O mundo Pelos Olhos de Maisie é rasteiro visto do alto de seus seis anos de idade. Jovem demais para compreender inteiramente as vozes hostis ao redor, apenas guarda impressões amargas das discussões dos pais; os dois, na trama, não são bons na arte de disfarçar as mágoas arrastadas ao longo da relação e usam a filha como instrumento para se machucarem.

    Baseada em livro homônimo e clássico de Henry James, publicado em 1897, a história adapta o drama da separação aos dias de hoje e acerta ao utilizar uma perspectiva rebaixada da câmera, deixando o espectador bem próximo à Maisie.

    Julianne Moore encarna a roqueira Susanna, mãe da pequena. Quer dizer, uma tentativa de mãe. Como boa atriz que é, Moore não resume sua personagem a uma fácil dicotomia. Os sentimentos em torno dela oscilam: de pena pela carência afetiva à raiva pelo tratamento relapso voltado à filha, transita e causa uma gama de emoções. Dessa forma, a atriz chega cada vez mais ao nível Meryl Streep de atuação - não importa a trama, sabemos que sua personagem surpreenderá.

    Outro destaque é a própria Maisie, interpretada por Onata Aprile. Com jeito natural e inocente, transmite aquela peculiaridade pertencente às crianças de acreditar inteiramente na bondade dos outros. Percebe-se esse sentimento em suas atitudes, nos abraços confiantes deixados em cada novo padastro, babá ou cuidador pelo caminho.

    O pai, levado às telas por Steve Coogan (A Festa Nunca Termina), tem aquele ar de malandro divertido que se deforma aos poucos por meio de suas ações. Os conflitos entre ele e Susanna são transmitidos de forma sutil, em trechos de conversas ouvidas sem querer ou intencionalmente pela pequena, o que aproxima o espectador de suas impressões. As relações entre os personagens também são apreendidas delicadamente, não apresentadas em falas diretas. Percebe-se, entende-se aos poucos.

    O ambiente diz muito. Em uma das cenas, uma amiga de Maisie vai dormir em sua casa, ou melhor, na de sua mãe - pois ela vive temporariamente com cada um dos pais. Em meio a uma festa, a garotinha fica transtornada após o deslumbramento inicial e pede para o pai buscá-la, mostrando que talvez aquele não seja o lugar mais confortável para uma criança.

    Como acontece em muitos filmes de nossa época, o uso exagerado da trilha sonora serve de muleta para transmitir as emoções desejadas e empobrece o resultado. O que os diretores tanto temem em relação ao silêncio? No caso de Pelos Olhos de Maisie, as atuações e cenas bem planejadas conseguiriam segurar essa barra sem cair na pieguice fatal trazida pelo violãozinho indie/folk como acaba acontecendo.

    A história de amor entre dois ex-namorados dos protagonistas que se desenvolve do meio para o final dá um tom mais romântico ao longa, criando a família postiça perfeita para Maisie. Mas o destino dela permanece em aberto, não no sentido de significado, e sim pela falta de um desenlace, de um ponto final. Outra questão: quando o desamparo da menina está completamente construído e apreendido na trama, situações para causar pena geram uma sensação de repetição, a exemplo de quando a mãe a deixa num bar onde a garota passa a noite e acorda sem saber onde está.

    Oscilando dessa forma, Pelos Olhos de Maisie deve agradar pela sensibilidade da história vivida pela ótima atriz mirim. Mas, como produção cinematográfica, poderia ter sido desenvolvido com mais criatividade, evitando o mais do mesmo na tentativa de emocionar.

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