PI

PI

(Pi)

1998 , 85 MIN.

14 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Darren Aronofsky

    Equipe técnica

    Roteiro: Darren Aronofsky, Eric Watson, Sean Gullette

    Produção: Eric Watson

    Fotografia: Matthew Libatique

    Trilha Sonora: Clint Mansell

    Estúdio: Europa Filmes

    Elenco

    Ajay Naidu, Ben Shenkman, Mark Margolis, Pamela Hart, Samia Shoaib, Sean Gullette, Stephen Pearlman

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Dois roteiristas estreantes, um diretor novato e um ridículo orçamento de US$ 60 mil (praticamente o custo de um curta-metragem no Brasil) conseguiram realizar um filme premiado e elogiado: Pi, vencedor dos prêmios de melhor direção no Sundance Film Festival e de melhor roteiro de estréia no Independent Spirit Awards (o Oscar dos independentes).

    Rodado em 16 milímetros e em preto-e-branco, o filme narra a obsessão do matemático Max (Sean Gulette, também em seu longa de estréia) em descobrir a essência do Pi, aquele número que na escola aprendemos como sendo 3,1416, mas que na realidade é infinito e sem padrão. Max acredita firmemente que a matemática é a linguagem da natureza, que tudo à nossa volta pode ser representado e compreendido por números. Assim, ele quer desvendar os padrões que norteiam as altas e baixas da bolsa de valores.

    Nesta sua busca insana, ele encontra Lenny (Ben Shenkman), um estudioso que acredita ser possível desvendar o segredo de Deus por meio da numerologia do Torah. Como se tudo isso já não fosse suficientemente confuso, Max é constantemente acometido por ataques, convulsões e delírios.

    A forma do filme é coerente com seu conteúdo: tudo é feito para criar na platéia uma sensação de desconforto. São cortes rápidos, tomadas deformadas em grande angular, luz estourada, ausência de meios tons na fotografia, personagens estranhos e uma trilha sonora marcantemente paranóica. Um caos delirante que contrasta com a harmonia e a filosofia dos cálculos matemáticos de Arquimedes ou Da Vinci.

    A tentativa desesperada de Max em compreender a vida por meio de números leva Pi a um clima de perturbadora insanidade.

    Trata-se de um filme praticamente caseiro. Seu custo de produção foi levantado entre amigos e parentes do diretor Darren Aronofsky. A principal locação é uma fábrica de luminárias do pai do co-produtor, a mãe do diretor fez vários trabalhos manuais para os adereços e cenografia, enquanto o pai dele fez o papel de um dos bandidos.

    Definido por Aronofsky como “o primeiro filme punk cibernético”, Pi rendeu ao seu diretor muito mais que prêmios em festivais de cinema independente: ele já assinou contrato para dirigir o próximo longa da série Batman, a ser lançado nos cinemas em 2002.

    Cultura inútil: o número descoberto por Max que poderia explicar todo o sentido da vida é 94143243431512659321054872390486828512913474876027671959234602385829583047250165232525929692572765536436346272718401201264314754632945012784726484107562234789626728592858295347502772262646456217613984829519475412398501.

    27 de agosto de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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