PINA

PINA

(Pina)

2011 , 106 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 23/03/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Wim Wenders

    Equipe técnica

    Roteiro: Wim Wenders

    Produção: Erwin M. Schmidt, Gian-Piero Ringel, Wim Wenders

    Fotografia: Hélène Louvart

    Trilha Sonora: Thom

    Estúdio: Neue Road Movies

    Distribuidora: Imovision

  • Crítica

    21/03/2012 21h56

    O diretor Wim Wenders, compatriota e amigo da coreógrafa alemã Pina Bausch, recorreu à famigerada tecnologia 3D para fazer um tributo à artista falecida em 2009, vítima de um câncer. O resultado foi um filme que de fato passa ao espectador toda comunicação não verbal dos espetáculos da artista, num dos melhores trabalhos do uso da captação em três dimensões já vista no cinema.

    Em Pina, o 3D é essencial (se puder, não o assista no formato tradicional) e capaz de transformar a sala de projeção em um espaço compartilhado, onde o espectador ganha a sensação do deslocamento e sobe ao palco para dividir experiências e sensações com os bailarinos.

    Pina não tem pretensões biográficas e não revela quase nada da vida pessoal da coreógrafa, deixando suas criações falar por ela. Estratégia semelhante à adotada por Nelson Pereira dos Santos no documentário A Música Segundo Tom Jobim, que pinta um retrato do artista exclusivamente por meio de sua obra. Isso, no entanto, não faz do longa de Wenders um filme cifrado, “entendido” apenas pelos que possuem alguma ligação com a dança. Pina é perfeitamente entendível e palatável por qualquer um que tenha sensibilidade o suficiente para enxergar a beleza da expressão corporal humana.

    A visão de mundo da coreógrafa é contada através de números de dança reproduzidos pelos integrantes da Wupperthal Tanztheater, companhia criada por ela em 1973. Ao passo que as apresentações são exibidas e testemunhamos a engenhosidade e inspiração da artista, ouvimos depoimentos dos dançarinos sobre quem era sua mentora, a mulher que rompeu com o balé clássico e trouxe para suas obras uma sem-número de gestos, expressões e emoções criando um trabalho original definido por ela como teatro-dança.

    Emocionante por vezes, muitas das peças de dança transportam o espectador para lugares remotos de suas lembranças, como a Sagração da Primavera, no qual o piso de dança está todo coberto por terra. Outros números são contundentes, como Café Müller, na qual os bailarinos tropeçam cegamente colidindo com mesas e cadeira e tendo apenas uma pessoa para ajudá-los, mas que pouco pode fazer. Transposição de barreiras, segurança, amor e aceitação são temas recorrentes na obra da artista.

    Parcimonioso nas palavras, Wenders reconstrói a história artística de Pina Bausch com poesia e humanismo, proporcionando à audiência uma experiência sensorial pungente e agradável - elevada à enésima potência pelo uso do 3D. No filme, a tecnologia não é um mero truque comercial para alavancar bilheteria. É bem utilizado, tem valor artístico imprescindível e faz de Pina um filme memorável.

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