PLANETA DOS MACACOS

PLANETA DOS MACACOS

(Planet of the Apes)

2001 , 120 MIN.

12 anos

Gênero: Ficção Científica

Estréia: 03/08/2001

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Tim Burton

    Equipe técnica

    Roteiro: Lawrence Konner, Mark Rosenthal, William Broyles Jr.

    Produção: Richard D. Zanuck

    Fotografia: Philippe Rousselot

    Trilha Sonora: Danny Elfman

    Estúdio: The Zanuck Company, Tim Burton Productions, Twentieth Century Fox Film Corporation

    Elenco

    Allie Habberstad, Andrea Grano, Anne Ramsay, Brett Smrz, Callie Croughwell, Cameron Croughwell, Candace Kroslak, Cary-Hiroyuki tagawa, Chad Bannon, Chet Zar, Chris Ellis, David Warner, Deep Roy, Eddie Adams, Eileen Weisinger, Elizabeth Lackey, Erick Avari, Estella Warren, Evan Parke, Freda Foh Shen, Glenn Shadix, Hannah Peitzman, Helena Bonham Carter, Howard Berger, Isaac C. Singleton Jr., Jay Caputo, Jesse Tipton, Jim Holmes, Joanna Krupa, John Alexander, Jonna Giovanna, Joshua Croughwell, Kam Heskin, Kevin Grevioux, Kris Kristofferson, Linda Harrison, Lisa Marie, Lorenzo Callender, Luke Eberl, Mark Christopher Lawrence, Mark Wahlberg, Melody Perkins, Michael Clarke Duncan, Michael Jace, Michael Wiseman, Molly Peitzman, Paul Giamatti, Philip Tan, Quincy Taylor, Rick Baker, Shane Habberstad, Shonda Farr, Tate Taylor, Tim Roth, Todd Babcock, Todd Kimsey

  • Crítica

    03/08/2001 00h00

    A cena é um dos grandes ícones da história do cinema: Charlton Heston, atônito, encontra os destroços da Estátua da Liberdade semi-enterrados numa praia deserta. Desesperado, percebe que o planeta que ele julgava ser “dos macacos” era na realidade a própria Terra, milhares de anos no futuro. Assim terminava Planeta dos Macacos, clássico da ficção científica rodado em 1968 que marcou definitivamente o gênero.

    Mais de 30 anos depois, os executivos da 20th Century Fox e da The Zanuck Company (a mesma de Conduzindo Miss Daisy) decidiram adaptar novamente para o cinema a obra do escritor francês Pierre Boulle, falecido em 1994, o mesmo autor do livro que originou o filme A Ponte do Rio Kwai. O desafio era dos mais arriscados. Como superar a primeira versão? Como suportar as comparações? O primeiro passo – óbvio para Hollywood – era determinar o orçamento: cem milhões de dólares seriam suficientes. A decisão seguinte se mostraria das mais acertadas: contratar Tim Burton para a direção.

    Burton tem um talento todo especial em realizar filmes sobre pessoas estranhas que não se adaptam aos seus meios sociais. Foi assim em Edward Mãos de Tesoura, Ed Wood, Batman e até em O Estranho Mundo de Jack, que ele não dirigiu mas escreveu e produziu. Nada melhor que ele, então, para contar a história de um humano que cai num planeta dominado por macacos.

    Outro ponto vital para o filme era a contratação do melhor especialista possível em maquiagem. O escolhido foi Rick Baker, profissional dos mais premiados no setor e especialista em macacos. Afinal, foi ele o responsável pela maquiagem de filmes como Nas Montanhas do Gorilas, O Poderoso Joe e Greystoke – A Lenda de Tarzan. Poucos sabem inclusive que foi o próprio Baker quem vestiu a fantasia de King Kong no remake de 1976. E vale a curiosidade: ele também já foi contratado para desenvolver todo o trabalho de maquiagem da superprodução O Incrível Hulk, projeto da Universal Pictures a ser dirigido por Ang Lee em 2003. O trabalho de Baker em Planeta dos Macacos foi dos mais completos e meticulosos, já que Tim Burton descartou sumariamente a opção de se utilizar primatas digitais.

    Com locações na Austrália e no Havaí, as filmagens do novo Planeta dos Macacos foram iniciadas em novembro do ano passado, em clima de grande expectativa. Qual seria o final que os roteiristas iriam inventar agora? Obviamente não poderia ser o mesmo de 1968. No melhor estilo “Você Decide”, Tim Burton chegou a filmar cinco finais diferentes para despistar a imprensa e acabou optando por aquele que mostra... opa! É melhor ver o filme antes.

    Com o filme pronto, “na lata”, como diz a gíria cinematográfica, a Fox preparou um mega-lançamento que previu sua estréia dos EUA à Coréia, da Jamaica ao Japão, da Suécia ao Brasil, praticamente de forma simultânea: mais de 25 países em menos de dez dias. Nos EUA, onde Planeta... estreou no último dia 27, foram arrecadados 68,5 milhões de dólares apenas no primeiro final de semana. Ou seja, a maior bilheteria de abertura para um final de semana sem feriados na história daquele país (o americano adora estes recordes estranhos).

    Sucesso merecido? Sem dúvida, sim. O filme tem ação, aventura, bom humor, ótimas interpretações (de humanos e “macacos”), efeitos especiais de primeira linha, direção de arte caprichada, maquiagem irrepreensível e bom roteiro. Como diz a música I´ve Got Rhytrh, do filme Sinfonia de Paris, “who can ask for anything more?” – quem pode pedir mais?

    Nem é o caso de comparar este remake ao original. São dois produtos bem diferentes, apesar do mesmo ponto de partida. Os novos tempos pedem mais ritmo, mais violência e mais aprimoramento técnico e visual. Há 30 anos, as platéias já se contentavam apenas com uma boa história. É quase impossível comparar as duas épocas.

    Pessoalmente, acredito que a única grande falha da nova versão tenha sido dotar os humanos do planeta com o dom da fala, o que não existia no primeiro filme. Ficava mais evidente o abismo cultural entre o humano do presente e o humano do futuro. Também não senti na direção a “mão”, o estilo típico de Tim Burton, com seu sarcasmo habitual de outros trabalhos. E, por último, estranhei a falta de originalidade da trilha sonora de Danny Elfman, um compositor acima da média, em seus trabalhos anteriores (Os Fantasmas se Divertem, Marte Ataca, o tema do desenho Os Simpsons, etc.).

    Mas, estes detalhes são pequenos diante da grandiosidade do novo Planeta dos Macacos. O filme é diversão garantida para todas as idades e todos os gostos. Quem curte apenas uma boa aventura na tela grande, vai gostar. Quem prefere uma leitura mais aprofundada tanto no plano sociológico como no filosófico, também vai curtir. Enfim, um programão.

    Repare: debaixo da maquiagem do moribundo pai de Thade está Charlton Heston, hoje aos 76 aos, ator principal do filme original.

    1º de agosto de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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