Poster filme

PONTE AÉREA

(Ponte Aérea)

2014 , 100 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 26/03/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Julia Rezende

    Equipe técnica

    Roteiro: Julia Rezende

    Produção: Mariza Leão

    Estúdio: Morena Films

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Caio Blat, Emílio de Mello, Felipe Camargo, Letícia Colin

  • Crítica

    26/03/2015 17h12

    Mesmo sendo próximas (431,22 Km de distância), as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro são tão distintas no modo de ser e viver, que muitas vezes acabam acirrando uma rivalidade regional. Não é preciso citar aqui as piadas que paulistas e cariocas fazem entre si para tirar onda um do outro. Apesar de falar sobre a relação entre essas duas grandes metrópoles, o filme Ponte Aérea, de Julia Rezende, não procura instigar uma possível rixa. Pelo contrário, quer mostrar como o amor pode superar essas diferenças.

    E isso é bom, pois faz com que a história fuja da mesmice e dos clichês que envolvem esse tema. Além disso, o casal protagonista, Bruno (Caio Blat) e Amanda (Letícia Colin), são apresentados dentro de um contexto atual. Apesar do início do relacionamento entre os dois ser narrativamente fraco, com ambos indo para a cama sem se conhecerem direito, ele reflete bem a superficialidade e a rapidez da maioria das relações amorosas dos dias de hoje.

    Ela é uma publicitária paulistana, viciada em trabalho, que quer a todo custo crescer profissionalmente e, por isso, possui uma rotina frenética. Ele é um artista plástico do Rio de Janeiro, mas que ainda está em busca da sua verdadeira vocação. Com um jeito mais tranquilo de ser, ele ganha a vida alugando um quarto da casa em que mora com o amigo, Chicão (Silvio Guindane). Durante um voo Rio-São Paulo, que é desviado para Belo Horizonte, os dois se conhecem no hotel do aeroporto e logo de cara já se sentem atraídos e passam a noite juntos.

    Depois de cada um seguir o seu caminho, Bruno resolve encontrar a jovem na capital paulista. A partir daí, os dois começam a se ver mais vezes e um relacionamento mais sério passa a surgir. Se no começo ambos conseguiam lidar com os desafios, com o tempo, os obstáculos ficam maiores por causa da distância entre as cidades e das diferenças entre as personalidades de cada um.

    Por mais que o longa passe a impressão de tratar de assuntos já batidos e de estereótipos clássicos entre paulistas e cariocas, na verdade ele quer explorar a história de amor entre os protagonistas. As cidades estão lá apenas como cenário, para falar a verdade. Claro que os estereótipos que conhecemos estão presentes, mas são colocados de maneira sutil e inteligente pela diretora Julia Rezende.

    O trabalho da cineasta é tão seguro e confiante, que as piadas surgem na dose certa, sem parecer forçadas. Elas também não são agressivas e ficam longe de ofender paulistas e cariocas. O roteiro da diretora com L.G. Bayão e Rafael Pitanguy também demonstra evolução com o passar da trama, tanto que, conforme os protagonistas amadurecem, a história fica mais interessante e atraente.

    Méritos também para Blat e Colin, que convencem na pele de seus personagens, principalmente por possuírem a química necessária para que o público acredite e se identifique com Bruno e Amanda. O que chama a atenção nos dois são as cenas de sexo. Mesmo não sendo tão picantes, como em Cinquenta Tons De Cinza, a intensidade demonstrada pelos atores mostra bem o estado do relacionamento.

    Ponte Aérea não é um filme que traz algo inovador, mas se destaca por contar uma boa história dentro de um cenário que é a realidade de muitos brasileiros. Ao mesmo tempo, ele é divertido, por conseguir falar das diferenças entre Rio e São Paulo sem ser bairrista, e tocante, por oferecer um aprofundamento e uma reflexão emocional inesperada em relação aos personagens principais.

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