POTICHE: ESPOSA TROFÉU

POTICHE: ESPOSA TROFÉU

(Potiche)

2010 , 103 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 23/06/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • François Ozon

    Equipe técnica

    Roteiro: François Ozon

    Produção: Eric Altmeyer, Nicolas Altmeyer

    Trilha Sonora: Philippe Rombi

    Estúdio: Mandarin Films

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Catherine Deneuve, Fabrice Luchini, Gérard Depardieu, Jérémie Renier, Judith Godrèche, Karin Viard, Sergi López

  • Crítica

    22/06/2011 14h32

    1977. Em Potiche – Esposa Troféu, a transformação da força da mulher na sociedade é até divertida, praticamente apolítica. A luta de classes, também, é diluída pelo clima nostálgico de lindas canções-chiclete setentistas. Mas, é só olhar com atenção, pois tudo está lá: basta apenas driblar as aparências.

    François Ozon é um herdeiro da liberdade musical de Jacques Demy. Neste, personagens transformam em canções os diálogos que exprimem uma falsa alegria. No fundo, a melancolia, comentário irônico, quiçá, da felicidade dos musicais hollywoodianos. Em Ozon, especialmente em Potiche – Esposa Troféu, a relação com a canção aproxima os dois realizadores, mas neste filme a felicidade de Catherine Deneuve é verdadeira, bem diferente de Anouk Aimeé em Lola – A Flor Proibida.

    Esta felicidade vem de um insólito acontecimento. Esposa sem vontade própria e mais se parecendo com um objeto decorativo ao lado do industrial Robert (Fabrice Luchini), Suzanne (Deneuve) toma as rédeas da empresa quando o marido é sequestrado pelos empregados ultraexplorados.

    Mesmo partindo de um tema palpável – luta de classes e papel da mulher –, Ozon vai para um registro longe do realismo. Daí vem o frescor e a diversão que é assistir ao filme: abdica-se de um cinema político e se apresenta quase um conto de fadas musical com um feminismo pastiche. Que não se entenda isso como uma defesa de que o cinema político é démodé, apenas reconheço a saudável diferença do olhar de Ozon.

    No frigir dos ovos, temos um filme que é realizado pelo filtro do mundo de Suzanne, uma burguesa alienada que, de repente, cai na vida real.

    Filme antigo

    Potiche – Esposa Troféu é uma grande brincadeira que homenageia um tempo passado com a força da Direção de Arte, Iluminação, Figurino e Trilha Sonora. Esta merece um comentário à parte.

    Tem-se neste longa a fina nata do que a França produziu de música romântica no final da década de 60 a meados de 70. Na sequência mais afetiva do filme, Catherine Deneuve, a ex-esposa troféu do título, e Gerard Depardieu, um comunista de longa data que tem uma relação mal resolvida com ela, dançam em uma discoteca ao som de Viens Faire Un Tour Sous La Pluie, canção ultrarromântica do grupo Il Etait Une Fois.

    O tempo para graças à esperteza de Ozon. Não vemos apenas os personagens Suzanne e Maurice curtindo um momento de alegria, mas dois ícones do cinema francês voltando no tempo e sentindo-se novamente com 30 anos. Jovens com toda uma vida pela frente, felizes por cantarem “Vamos dar uma volta na chuva, sim/ Os pássaros virão também, sim/ Vamos fazer um tour em Paris/ Na chuva”. Pena que dura pouco.

    No rol de canções que remetem aos anos 70 ainda estão Emmène-moi Danser Ce Soir, de Michele Torr, que Catherine Deneuve dubla na cena da cozinha, Sunny, de Boney M. (que ganhou uma infame versão brasileira de Léo Jaime), e, como cereja do bolo, More Than a Woman, dos Bee Gees.

    Personagens

    É verdade também que os personagens masculinos de Potiche – Esposa Troféu são tipos: o empresário sem escrúpulos (Fabrice Luchini), o comunista de coração mole (Depardieu), o filho confuso (Jérémie Renier), o fugaz amante (Sergi Lopez).

    Como é comum no cinema de Ozon, a figura feminina é melhor desenvolvida. Basta lembrar da onipresença delas em 8 Mulheres ou do carinho maior com a esposa de Ricky. Desta vez, não só a protagonista dá o tom do filme, mas sua filha ultraconservadora (Judith Godrèche) e a secretária/amante (Karin Viard, em atuação sensacional) carregam os principais dilemas do enredo. Afinal, trata-se de um filme que coloca a mulher à frente.

    Potiche – Esposa Troféu é uma homenagem afetiva à mulher, mas que evita a seriedade dos conflitos. Uma divertida brincadeira cinematográfica e musical, capaz de levantar a autoestima de quem estiver por baixo. É como ilustra a canção final, C’est Beau La Vie, interpretada por Deneuve: “O vento nos cabelos loiros/ O sol no horizonte/ Algumas palavras de uma canção/ Pois é bela, é bela a vida”

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