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POWER RANGERS: O FILME

(Power Rangers, 2017)

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21/03/2017 09h26
por Daniel Reininger

O novo filme dos Power Rangers talvez seja a melhor história do grupo, surpreende no desenvolvimento dos personagens e não se leva a sério, como esperado. Poderia facilmente ser mais um grande filme de super-heróis, mas o longa erra no tom da vilã e não investe como deveria no clima Tokusatsu, das séries japoneses e de onde vem a inspiração da franquia, e por isso todo o combate final deixa a desejar.

Apesar de abusar da nostalgia, com direito a participações especiais de Jason David Frank (Verde) e Amy Jo Johnson (Rosa), a nova versão tenta atualizar a franquia e reimagina os heróis como protetores galácticos, cuja origem remonta a pelo menos 65 milhões de anos no passado, na época dos dinossauros (daí o visual dos Zords), quando alienígenas chegam à Terra em busca de um cristal responsável por toda a vida no universo.

Zordon era o Ranger Vermelho, mas seu time é destruído pelo meteoro que eliminou os dinossauros, sua mente é transferida para o computador de sua nave e Rita Repulsa foi esquecida no fundo do mar. Tudo fica calmo até os dias de hoje, quando cinco jovens são escolhidos pelas moedas do poder para enfrentar o retorno da vilã, que acontecerá, claro, na cidade da Alameda dos Anjos.

O filme tem um discurso interessante de inclusão social e todos os protagonistas se encontram em momentos de virada em suas vidas. Jason Scott (Dacre Montgomery) é o jogador de futebol preso por uma brincadeira, Billy Cranston (RJ Cyler) é o nerd antissocial que sofre a perda do pai, Kimberly Hart (Naomi Scott) era popular até cometer um erro e agora vive entre a culpa e o ódio, Zack Taylor (Ludi Lin) é impulsivo para esconder a tristeza pela doença de sua mãe e Trini Kwan (Becky G.) é a recém-chegada na cidade com problemas de comunicação.

Montgomery, Cyler e Scott ganham mais atenção de forma justificada, já que eles são os mais carismáticos. Suas boas atuações transformam papéis simples em pessoas interessantes, com angústias credíveis. Cyler, em particular, deve conquistar a todos com Billy. Já Trini e Zack têm pouco espaço, são introduzidos depois e não tem tempo de evoluir. Becky G. ao menos tenta em uma curta cena na qual sua personagem revela ter dúvidas sobre sua sexualidade. Além dos cinco jovens, Bryan Cranston e Bill Hader foram muito bem escalados como Zordon e Alpha 5.

Elizabeth Banks não convence como Rita Repulsa, grande vilã do seriado. A personagem é caricata, como esperaríamos vê-la, mas a atuação de Banks é exagerada ao ponto de descaracterizar a inimiga e ainda é incapaz de siar do básico: "destruir o mundo por vingança". Esquisita e bizarra, ela nunca se mostra a vilã que gostaríamos de ver e fica difícil acreditar que aquele ser patético ameaça a vida na Terra.

Mas é claro que quando você tem cinco jovens vestidos com armaduras coloridas, um robô tagarela, uma parede falante, uma vilã que come ouro, monstros e robôs gigantes, o melhor a fazer é não levar as coisas a sério, e quando o filme vai por esse lado ele acerta em cheio, apesar de nem sempre encontrar esse tom em sua narrativa.

O clima leve com momentos pastelões é bem próximo da série dos anos 90, a grande diferença é o CGI de qualidade para mostrar tudo com realismo necessário para levar à loucura qualquer fã da franquia ou do gênero. E apesar da trilha deixar a desejar ao longo de todo filme, quando ouvimos "go, go Power Rangers" é difícil não se empolgar.

Apesar disso, a trama demora demais para realmente mostrar os heróis em ação. O treinamento é interessante, da primeira vez, mas quando eles retornam para a quinta sessão já não aguentamos mais vê-los na mesma situação. Quando eles finalmente vestem as armaduras e vão para a porrada, o filme já está no final. As cenas de ação são muito boas, porém curtas, e o clímax é bem decepcionante, não só pelo combate com mechs nunca empolgar de fato, mas também pela resolução simplória de todo o problema.

Power Rangers: O Filme abusa da nostalgia para conquistar aqueles que conheciam a franquia, mas deve soar bem fora de tom para os novatos que nunca assistiram a uma série Tokusatsu na vida. Apesar de seus problemas, boas atuações ajudam a cobrir falhas narrativas, mas o mais importante é que o longa é divertido e, mesmo quando se torna arrastado, não chega a incomodar, afinal os personagens são capazes de manter nosso interesse até o final.

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Daniel Reininger

Daniel Reininger

Editor-Chefe

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o Editor-Chefe do Cineclick.

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