Pôster de Preenchendo o Vazio

PREENCHENDO O VAZIO

(Lemale Et Há’Halal)

2012 , 87 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 27/09/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Rama Burshtein

    Equipe técnica

    Roteiro: Rama Burshtein

    Produção: Assaf Amir

    Fotografia: Asaf Sudry

    Trilha Sonora: Yitzhak Azulay

    Estúdio: Norma Productions, The Match Factory

    Montador: Sharon Elovic

    Distribuidora: CAFCO Films

    Elenco

    Chayim Sharir, Hadas Yaron, Hila Feldman, Ido Samuel, Irit Sheleg, Melech Thal, Michael David Weigl, Neta Moran, Razia Israeli, Renana Raz, Yael Tal, Yiftach Klein

  • Crítica

    24/09/2013 03h00

    Este é não é um filme de época, mas é como se fosse. Ambientado na Tel Aviv dos dias atuais seus protagonistas, judeus ultraortodoxos, vivem como no século 18. E como de costume, quem paga o pato nesses agrupamentos patriarcais movidos pela fé é a mulher, tratada como cidadã de segunda classe cujas funções se resumem a parir e cuidar dos afazeres domésticos.

    Preenchendo o Vazio, no entanto, não se propõe a atacar a essa divisão de gênero arcaica. A diretora Rama Burshtein não julga sua protagonista tampouco a comunidade, apenas nos insere em seu dia-a-dia. Naturalmente, para um ocidental, o choque cultural é inevitável. O juízo, no entanto, cabe ao público.

    A personagem principal é Shira, jovem de 18 anos entusiasmada com a perspectiva de se casar em breve. O filme abre com uma cena que descreve bem sua situação. Num supermercado, acompanhada da mãe, tem o primeiro "encontro" com seu futuro marido. De longe, vê o rapaz perto da seção de laticínios, como um produto que avalia se vale a pena adquirir.

    Não se falam, nunca se viram antes, nem sequer trocam olhares. Shira está ali apenas para assentir a escolha prévia de um casamento arranjado pelos pais. Apesar do rosto do rapaz estar parcialmente encoberto pelo cabelo e o tradicional chapéu preto, um débil sorriso no rosto da moça autentica a aceitação, até com certo entusiasmo.

    Shira, na verdade, não tem alternativa. A perspectiva de não encontrar marido em seu meio social é tão nefasta que não lhe permite dar-se ao luxo de escolher muito, apesar de contar meros 18 anos de vida. Uma tia que não conseguiu se casar - e esconde os cabelos por orientação do rabino para evitar perguntas - e uma amiga que se aproxima dos 30 e ainda não arrumou um marido galvanizam a pressa.

    O longa de estreia de Rama Burshtein - que nasceu em Nova York, mudou-se para Israel com um ano e converteu-se ao judaísmo ortodoxo aos 25 - tampouco protesta contra a prática de casamentos arranjados na comunidade ortodoxa. Ao contrário, celebra a santidade da união matrimonial como uma instituição sagrada e mostra a luta das novas gerações em honrar a tradição abrindo um frágil enclave para a escolha individual.

    Este não é conflito do filme, mas ele logo se apresenta. A irmã de Shira morre de complicações na gravidez e deixa o marido Yochay sozinho com o recém-nascido Mordechai. Em pouco tempo a comunidade começa a se mover para "preencher o vazio" e arrumar uma nova mulher para o viúvo: uma judia que mora na Bélgica. A possibilidade de se ver afastada do neto faz com que a mãe de Shira – sem consultá-la - considere outra possibilidade: a da caçula casar-se com o cunhado.

    Pais, tias, amigos, líderes religiosos, todos começam a debater o destino de Shira enquanto ela mesma fica à distância, vítima das pressões ao redor. A decisão final será dela, mas é interessante notar que a tensão da jovem advém justamente da possibilidade de decidir. Para Shira, sem experiência alguma com o sexo oposto, teria sido muito mais fácil seguir sua sina de casar com o rapaz do supermercado.

    Toda a tensão e confusão mental pela qual passa a protagonista não se expressam em palavras ou gestos desesperados, mas na angústia parcimoniosa expressa no rosto da protagonista, cuja câmera acompnaha de perto. E este é um dos méritos de Preenchendo o Vazio: sua bem arquitetada natureza observacional.

    Observância que, aos olhos de um ocidental, revela mulheres atadas a uma tradição religiosa machista e draconiana em pleno século 21. Jovens como Shira têm pouca autonomia num momento importante de suas vidas, o casamento, antes que possam tornar-se fábricas de bebês para o messias que virá. Impressão inevitável para quem vive sob a égide da liberdade no século 21.

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