PRINCESAS

PRINCESAS

(Princesas)

2005 , 113 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 25/05/2007

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Fernando León de Aranoa

    Equipe técnica

    Roteiro: Fernando León de Aranoa

    Produção: Fernando León de Aranoa, Jaume Roures

    Fotografia: Ramiro Civita

    Trilha Sonora: Alfonso Vilallonga

    Elenco

    Alberto Ferreiro, Alejandra Llorente, Candela Peña, Enrique Villén, Flora Àlvarez, Llum Barrera, Luis Callejo, María Ballesteros, Mariana Cordero, Micaela Nevárez, Monica Van Campen, Pepa Aniorte, Pere Arquillué, Violeta Pérez

  • Crítica

    25/05/2007 00h00

    Uma garotinha entra numa farmácia e tenta ver seu peso numa balança. Não consegue. A prostituta Caye olha para a menina e lhe diz, sorrindo: "Zero quilos? Isso significa que você é um anjo". Atrás de Caye, uma outra mulher desfaz a poesia: "Não é isso. É que esta balança funciona com moedas". Desfazer a poesia. Talvez seja este o tema principal do ótimo Princesas, do espanhol Fernando León de Aranoa, o mesmo de Segunda-Feira ao Sol.

    O roteiro, também de Aranoa, fala de Caye (Candela Peña, de Da Cama para a Fama), mulher de seus 30 anos que se prostitui sem o conhecimento de sua família de classe média. Nas horas vagas, ela se encontra com outras colegas de profissão num salão de beleza situado numa praça repleta de prostitutas imigrantes e expatriadas. A grande oferta de "negras", como elas dizem, derrubam os preços do mercado. E novamente o cinema europeu enfoca o tema da imigração e seus históricos e intermináveis conflitos. Porém, mais que a imigração, Princesas prefere abordar a amizade que Caye começa a travar com Zulema (a porto-riquenha Micaela Nevárez, premiada com o Goya de Atriz Revelação), justamente uma das "negras" tão denegridas pelas profissionais locais.

    É a partir desta relação que tem início uma sucessão de poesias, sonhos e esperanças partidas. Da mesma forma que a garotinha da balança não é um anjo, mas apenas alguém sem moedas no bolso, Zulema percebe que abandonar a família na América Central em troca da esperança do euro fácil é mais um pesadelo que um sonho. Caye encontrou estabilidade financeira na profissão, mas não bate nem nas traves quando o assunto é amor. Ela sonha em transformar as economias de sua vida em duas frias próteses de silicone e até a mãe de Caye - uma triste personagem - mais cedo ou mais tarde terá de desconstruir o falso castelo que ergueu nas nuvens de sua imaginação. Princesas é um grande "cair de fichas", no qual, pouco a pouco, cada um de seus protagonistas é obrigado a enfrentar a realidade. Que pode ser dura e cruel, mas é condição essencial para abrir os olhos e tentar - pelo menos tentar - os caminhos de uma vida melhor.

    Apesar da crueldade do tema, o filme é dirigido com sensibilidade, fluidez, graça e até momentos de bom humor, o que lhe rendeu nove indicações ao Goya e vários prêmios nacionais e internacionais.

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