Pôster de Os Suspeitos

OS SUSPEITOS

(Prisoners)

2013 , 146 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 18/10/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Denis Villeneuve

    Equipe técnica

    Roteiro: Aaron Guzikowski

    Produção: Adam Kolbrenner, Andrew A. Kosove, Broderick Johnson, Kira Davis

    Fotografia: Roger Deakins

    Trilha Sonora: Jóhann Jóhannsson

    Estúdio: 8:38 Productions, Alcon Entertainment, Madhouse Entertainment

    Montador: Gary Roach, Joel Cox

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Brad James, David Dastmalchian, Dylan Minnette, Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal, Jane McNeill, Katrina Despain, Len Cariou, Maria Bello, Melissa Leo, Paul Dano, Sandra Ellis Lafferty, Terrence Howard, Victoria Staley, Viola Davis, Wayne Duvall, Zoe Borde

  • Crítica

    13/10/2013 15h00

    Existe grande diferença em personagens construídos para compor uma trama e personagens desenvolvidos para servir aos interesses dramáticos do roteirista. Neste suspense, o texto de Aaron Guzikowski (Contrabando) trata os protagonistas como peças num tabuleiro de xadrez que ele movimenta a seu bel prazer em busca, talvez, de originalidade.

    São como peões dispostos de casa em casa para fazer as engrenagens do intricado quebra-cabeça que o roteirista criou se encaixarem. Guzikowski achou que bastava uma forte motivação para embasar as decisões que tomou e fazê-las transformarem-se nas decisões dos personagens. As imperfeições da estratégia revelam-se antes para o espectador do que os segredos do filme.

    A motivação aguda é o desaparecimento das meninas Anne e Joy. Anne é filha de Keller Dover (Hugh Jackman) e Grace (Maria Bello); Joy, a caçula de Franklin (Terrence Howard) e Nancy Birch (Viola Davis), seus vizinhos. Os amigos comemoram o Dia de Ação de Graças na casa de Franklin e as garotinhas somem misteriosamente quando vão a casa dos pais de Anne atrás de um brinquedo.

    No bairro, pacato e pouco movimentado, as suspeitas logo recaem sobre um velho trailer visto momentos antes estacionado na rua. Uma câmera que segue o carro até o local já antecipa que a vileza é passageira do veículo. A polícia é acionada e, com a descrição do automóvel, não demora a achá-lo.

    Quem se encaminha para o local é o detetive Loki (Jake Gyllenhaal). O trailer é achado com seu motorista, Alex (Paul Dano), que tenta escapar da polícia. O rapaz, que tem problemas mentais, é interrogado e diz nada saber das meninas. Como a perícia não encontra nenhum indício que o comprometa no veículo, ele é solto, o que revolta o pai de Anne.

    Neste momento do filme – na verdade, bem antes – a tensão está eficientemente estabelecida. O diretor Denis Villeneuve (do ótimo Incêndios) soube sustentar com eficácia o clima de suspense. A trilha incidental bem colocada, sem exageros, e a fotografia lavada ajudam o espectador a compartilhar a aflição e desalento do momento.

    Keller, inconformado com a libertação de quem acha ser o responsável pelo desaparecimento de sua filha, resolve agir por conta própria. Fica de campana na frente casa de Alex até que se desenrola a primeira cena que ratifica o que mencionei no início deste texto e começa a fazer o filme descer a ladeira.

    O rapaz, que mora com a tia, sai de casa à noite para passear com o cachorro e faz uma exibição gratuita de maus tratos a animais em frente a Keller. A cena não se destina ao personagem de Jackman, é um arranjo para manipular as impressões do público da pior maneira. As reações e condutas parecem não brotar dos personagens e sim serem inoculadas neles.

    Desse momento em diante o longa tenta flertar com questões morais, como a validade de se fazer justiça com as próprias mãos; e o faz de forma tacanha. O ápice se dá na atitude do personagem de Terrence Howard, que acha absurdo torturar um homem para, logo em seguida, segurá-lo e deixar que outro transforme a vítima em saco de pancada. Não faz sentido dramático, como muitas coisas em Os Suspeitos.

    Quando chegamos ao "the end" somos remetidos à cena inicial: o personagem de Hugh Jackman está com o filho mais velho, um adolescente (personagem mal desenvolvido que nada acrescenta), caçando veados. O garoto abate o animal com um tiro certeiro. O pai fica exultante. No carro, voltando pra casa, faz um discurso sobre sobrevivência para o filho. Só quando estamos aqui vemos que essa, como tantas outras cenas, não servem de nada.

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