PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO

PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO

(Standard Operation Procedure)

2008 , 116 MIN.

14 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 31/10/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Errol Morris

    Equipe técnica

    Produção: Errol Morris, Julie Ahlberg

    Fotografia: Robert Chappell, Robert Richardson

    Trilha Sonora: Danny Elfman

    Estúdio: Participant Productions

    Elenco

    Christopher Bradley, Cyrus King, Daniel Novy, Jeff L. Green, Joshua Feinman, Merry Grissom, Roy Halo, Sarah Denning

  • Crítica

    31/10/2008 00h00

    O documentarista Errol Morris partiu do episódio das torturas na prisão de Abu Ghraib, bastante abordado em 2004 e 2005, e montou a seguinte questão: os abusos e as fotografias tiradas pelos soldados norte-americanos foram atos individuais ou constituíram uma política de Estado?

    A resposta está no próprio título do documentário, Procedimento Operacional Padrão. O nome provém de uma designação criada pelo vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, que determina uma falsa diferença entre a tortura "proibida" e os métodos de interrogatório "permitidos". Por exemplo: dano físico seria classificado como tortura; danos psicológicos seriam permitidos, pois não passariam de procedimento operacional padrão na obtenção de informações.

    Morris não usa a narração como muleta na da linguagem documental. A condução do filme se dá apenas pelas entrevistas e pelas imagens ficcionais de Morris, que reconstituem parte do relato pelos soldados. Elas seduzem o espectador a manter-se no filme, já que os momentos refilmados dão a dimensão de realidade do que os entrevistados afirmam.

    Em Procedimento Operacional Padrão, os soldados são os protagonistas. Nove pessoas são entrevistados, sendo uma a general em comando da prisão, o chefe dos interrogatórios e o responsável pela investigação das fotografias. Cada soldado tem um perfil e todos estão envolvidos, de alguma maneira, com as fotografias tiradas dos prisioneiros sendo torturados. No filme, eles são as estrelas, os narradores, que tentam, de toda maneira, justificar seus atos.

    Dois depoimentos se destacam. O primeiro é de Lynndie England, que apareceu em diversas fotografias. "Todas as mulheres entram no Exército por causa de um homem. Não importa o que as pessoas dizem, é um mundo muito masculino. Você tem que agir como um homem ou ser controlado por um". Ela se apaixonou por Charles A. Graner Jr., um dos comandantes da prisão, com quem teve um filho em Abu. A ele, Lynndie atribui a cegueira de seus atos.

    O comum entre os soldados são as justificativas. "Tirei as fotos para mantê-las como registro, provar o que estava acontecendo", explica-se Sabrina Harman. Então, por que não denunciar? Por que aguardar até o programa 60 Minutes divulgar as fotos em abril de 2004? Por que aparecer sorrindo ao lado de prisioneiros iraquianos amontoados?

    Os depoimentos fazem retomar o mesmo questionamento já feito aos "funcionários" do regime nazista, que "apenas" cumpriam ordens para executar os judeus. A alienação é um dos pilares no talento nato do ser humano em cometer barbaridades. Mas se certamente há culpa individual, Morris, por meio dos depoimentos, não deixa de pontuar que foi, sim, uma política orquestrada pelo Estado, não tomada à revelia por soldados de baixo escalão.

    O procedimento operacional padrão encaixa-se perfeitamente na doutrina de guerra preventiva defendida pelo presidente George W. Bush desde o ataque de 11 de Setembro. E o Procedimento Operacional Padrão de Errol Morris, vencedor do Prêmio Especial do Júri no Festival de Berlim, reabre o debate, para além da crise econômica e das eleições americanas do próximo fim de semana, sobre a filosofia de que se vale destruir soberanias de países para levar a eles a democracia, a liberdade, os "bons valores" e a perspectiva eurocêntrica de mundo.

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