PROCURA-SE UM AMIGO PARA O FIM DO MUNDO

PROCURA-SE UM AMIGO PARA O FIM DO MUNDO

(Seeking a Friend for the End of the World)

2012 , 101 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 31/08/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Lorene Scafaria

    Equipe técnica

    Roteiro: Lorene Scafaria

    Produção: Joy Gorman, Mark Roybal, Steve Golin, Steven M. Rales

    Fotografia: Tim Orr

    Trilha Sonora: Jonathan Sadoff, Rob Simonsen

    Estúdio: Anonymous Content, Indian Paintbrush, Mandate Pictures

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Adam Brody, Aleister, Ami Haruna, Amy Schumer, Bob Stephenson, Brad Morris, Brice Crawford, Chris Spinelli, Connie Britton, Daniel Maurio, Derek Luke, Gary J. Wayton, Gillian Jacobs, Hannah Victoria Stock, Jack Story, Jake Lucas, Jim O'Heir, Kasey Campbell, Keira Knightley, Laura Perloe, Lauren K. Solomon, Leslie Murphy, Mark Moses, Marshall Manesh, Martin Sheen, Melanie Lynskey, Melinda Dillon, Monica Staggs, Nancy Carell, Pat O. Smith, Patton Oswalt, Prestin Persson, Rene Gube, Rob Corddry, Rob Huebel, Roger Aaron Brown, Steve Carell, Steve Stafford, T.J. Miller, Tonita Castro, Tony Brown, Trisha Gorman, Vince Grant, Vivian Smallwood, William Petersen

  • Crítica

    29/08/2012 19h15

    Por Daniel Reininger

    O fim do mundo é o cenário ideal para as pessoas cometerem as maiores loucuras de suas vidas, frutos de suas fantasias mais obscuras. É também uma grande oportunidade para reatar um velho romance ou começar um novo. Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo busca mostrar exatamente isso, ao acompanhar os últimos 14 dias de vida na Terra compartilhados por dois desconhecidos, interpretados por Steve Carell e Keira Knightley, e sua jornada de autoconhecimento e de acerto de contas com o passado.

    Este não é o primeiro filme, muito menos o mais original, a mostrar como a sociedade encararia o apocalipse. Melancolia, de Lars Von Trier, é um exemplo de como fazer isso bem feito, assim como o mais antigo A Última Noite. Fugindo ao ambiente das comparações, a diretora Lorene Scafaria (Nick & Norah - Uma Noite De Amor E Música) pega esse conceito e o transforma em um interessante road movie.

    Na trama, Dodge (Carell) é um vendedor de seguros que falhou em alcançar seus sonhos. Para piorar, sua mulher o abandona para ficar com o amante após o fracasso da última esperança de salvação da Terra, uma missão espacial que deveria interceptar o gigantesco asteroide, bem a la Armageddon (aquele com Bruce Willis e música do Aerosmith). Sem rumo, o personagem continua com seu dia-a-dia monótono à espera do fim.

    Tudo muda quando seu caminho cruza com o de Penny (Knightley), vizinha jovem, interessante, livre e com uma paixão louca por discos de vinil, que está em crise em seu relacionamento e deprimida por ter perdido o último voo comercial que a permitiria rever sua família. Depois de chorar as mágoas, ela devolve a Dodge três anos de correspondências entregues na caixa postal errada, entre as quais está uma carta enviada pelo amor de adolescência dele há apenas três meses. Está armada a aventura mais inesperada possível, tudo graças ao apocalipse iminente.

    Não é difícil perceber, logo de cara, que o filme não pretende tratar do fim do mundo (em nenhum momento o asteroide é mostrado), nem do amor impossível, mas sim da banalidade da vida humana, uma alegoria à futilidade da busca por status e do cumprimento das expectativas de uma sociedade cada vez mais consumista e rasa.

    Impossível não refletir sobre quão irônico é o fato das pessoas decidirem viver sem medos, resolverem questões do passado ou fazerem tudo o que sempre sonharam, como largar empregos sem sentido e relacionamentos falidos, apenas quando estão diante da iminência da destruição completa de tudo que conhecem. Existe aqui uma semente de crítica, mas nada mais aprofundado, afinal, trata-se de uma típica produção hollywoodiana.

    Só que o cinismo do começo do filme, que inclui a festa de uma pacata famíia suburbana que se torna uma orgia regada a heroína, perde o fôlego e o tom crítico na segunda metade. Personagens tomam decisões inexplicáveis, que parecem até terem sido impostas para transformar o longa em uma comédia romântica e fazer a audiência chorar a qualquer custo, comprometendo a história e sua credibilidade. Sorte que o final chega a tempo de manter a boa impressão inicial.

    Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo deixa de cumprir a expectativa criada de início e fica claro que havia potencial para algo muito melhor. Ainda assim, trata-se de um longa interessante que vai dividir opiniões, deixar muita gente deprimida na saída do cinema e, quem sabe, resultar em boas discussões.

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