PROCURANDO DORY

PROCURANDO DORY

(Finding Dory)

2016 , 97 MIN.

Gênero: Animação

Estréia: 30/06/2016

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    Programação

  • Ficha técnica

    Direção

    • Andrew Stanton, Angus MacLane

    Equipe técnica

    Roteiro: Victoria Strouse

    Produção: Lindsey Collins

    Fotografia: Jeremy Lasky

    Trilha Sonora: Thomas Newman

    Estúdio: Pixar Animation Studios, Walt Disney Pictures

    Montador: Axel Geddes

    Distribuidora: Disney

    Elenco

    Albert Brooks, Diane Keaton, Dominic West, Ellen DeGeneres, Eugene Levy, Idris Elba, Terrell Ransom Jr., Ty Burrell, Vicki Lewis, Willem Dafoe

  • Crítica

    28/06/2016 00h00

    Procurando Dory é um daqueles filmes que não precisava existir, mas que a Pixar acertou em cheio em fazê-lo. Quase 13 anos depois de Procurando Nemo, os peixinhos retornam para uma nova aventura: ajudar a personagem azulzinha e esquecida a encontrar seus pais, que não vê desde que era muito pequena e sequer lembrava que existiam. A partir daí, eles partem em buscas de pistas que possam fazer com que completem a missão, encontram velhos amigos e nos apresentam novos personagens.

    Com cenas ainda mais impressionantes do fundo do mar, podemos perceber como o avanço tecnológico contribui para o filme. As imagens nos fazem questionar o quanto aquilo é mesmo apenas animação e tudo fica ainda melhor em 3D. Além disso, a transição entre imagens sob as águas e na superfície mostram a maestria da Pixar em criar efeitos de texturas tão próximos aos reais.

    Na trama, acompanhamos o que aconteceu antes de Dory cruzar o caminho de Marlin, no primeiro filme. A versão filhote da peixinha (que já caiu na internet), com certeza vai conquistar todo mundo e comover logo nos primeiros minutos de filme. Emoção, aliás é algo que não falta no longa. O saudosismo e a história que, mais uma vez, coloca a família em foco traz uma interessante mensagem de reflexão sobre o tema.

    Dory demora para se recordar dos pais e chega a se culpar por sofrer de perda de memória recente, o que ela considera o motivo de ter se perdido deles. No entanto, somos levados também a refletir sobre o verdadeiro sentido de família, enquanto a própria protagonista passa a perceber, aos poucos, o papel de Marlin e Nemo em sua vida. Isso nos faz repensar o significado de família e é possível concluir que, muitas vezes, os laços afetivos são mais fortes do que os laços de sangue – sejam amizades antigas ou recentes.

    Apesar dos personagens partirem em uma nova viagem (que permite que eles se encontrem com o grupo de tartarugas do qual fazem parte Crush e Esguicho), a maior parte do filme acontece no Instituto Marinho de Monterrey. É lá, então, que somos convidados a conhecer ótimos novos personagens, como a tubarão baleia com problemas de visão, Destiny; a beluga que não sabe usar seu sonar de localização, Bailey; e o verdadeiro parceiro de Dory na missão, o mal-humorado polvo de sete tentáculos, Hank.

    Diferente do primeiro filme, os personagens secundários ganham muito mais destaque exatamente pelo fato do longa ter deixado de lado a estrutura de road movie. Assim, conseguimos ser cativados ainda mais por cada um deles e conhecer um pouco mais dos seus dramas particulares. Até mesmo um grupo de lontras, sem dizer uma palavra sequer, será capaz de encantar e arrancar suspiros quando aparecerem na tela.

    O passado de Dory será também esmiuçado e descobriremos muitas curiosidades sobre a peixinha. As frases de impacto tão frequentes na animação de 2003 (que você sabe até hoje, que eu sei) não são o forte desta produção. Pelo contrário, agora descobriremos como a protagonista aprendeu a falar baleiês e de onde vieram as suas clássicas músicas, como o inesquecível "continue a nadar". No entanto, a dublagem brasileira consegue criar alguns elementos cômicos, como a ótima entrada de Marília Gabriela no filme e uma das clássicas vezes que Dory confunde informações e acaba soltando frases completamente sem nexo.

    Apesar do grande intervalo de tempo entre os dois longas, o novo filme se passa apenas um ano depois da viagem pelo oceano que Dory fez ao lado de Marlin em busca de Nemo. E isso pode causar certo estranhamento. Afinal, somos levados a (quase) acreditar que estamos nos reencontrando com amigos de longa data. Do lado de cá das telonas, muita coisa mudou. No entanto, do lado de lá alguns easter eggs do filme nos farão refletir sobre como estão personagens como a pequena Darla, que na nossa mente já teria crescido, mas que não passa de uma criança um ano mais velha, apenas.

    É fato que a Pixar continua a mostrar porque é quase uma unanimidade quando o assunto é animação, afinal, está acostumada a fazer filmes excelentes. A narrativa fluída nos faz imergir no oceano e esquecer que já estamos bem grandinhos. Além disso, eles não deixam pontas soltas e mostram até aqueles detalhes que estávamos com muita vontade de ver (por isso, não saia do cinema antes de ter passado a cena pós-créditos). A sensação de que não precisaria de uma nova sequência é verdadeira, mas devo confessar que não seria nada mal poder ser um peixinho para entrar no Instituto e ver o que aconteceu depois que as luzes do cinema acenderam.

    Por fim, não se preocupe em fazer seu filho ver Procurando Nemo antes de ir para a sessão mais próxima de você. Apesar de ser uma ótima sequência, Procurando Dory é capaz de seguir seu caminho e conquistar mesmo quem ainda não conhece os personagens. Não há piada difícil de ser entendida e muito menos emoção que não seja transmitida a todos os públicos. Por isso, esse filme é para a família toda, sejam os pais com saudades de seus velhos amigos ou os filhos que acabaram de conhecê-los.

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