PROFISSÃO DE RISCO

PROFISSÃO DE RISCO

(Blow)

2001 , 124 MIN.

18 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Ted Demme

    Equipe técnica

    Roteiro: Bruce Porter, David McKenna

    Produção: Denis Leary, Joel Stillerman, Ted Demme

    Fotografia: Ellen Kuras

    Trilha Sonora: Graeme Revell

    Elenco

    Johnny Depp, Jordi Mollà, Paul Reubens, Penélope Cruz, Rachel Griffiths, Ray Liotta Franka Potente

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Um garoto de classe média, igual a milhões de outros, sai de casa para tentar a vida na Califórnia. Em poucos anos, o rapaz se torna um dos maiores milionários dos Estados Unidos. Esta seria a sinopse perfeita para um filme sobre o tão comentado “sonho americano” de fazer carreira e enriquecer. Não fosse por um detalhe: em Profissão de Risco, a “carreira” é outra. O roteiro conta a história real de George Jung, um rapaz que passa rapidamente de simples vendedor de maconha na praia à condição de maior traficante de cocaína dos Estados Unidos.

    Formalmente, o filme é dos mais tradicionais. Começa com a infância de Jung, mostra a mudança para a Califórnia, os dias de curtição e aventuras nas praias e o dinheiro fácil vindo do tráfico de maconha. Como conseqüência natural de seu sucesso, Jung é convidado por figurões mais poderosos a traficar cocaína, droga menos volumosa e muito mais lucrativa que a maconha. É a partir desta virada que Jung passa a ganhar dinheiro – literalmente – em caixas e, graças às conexões certas, torna-se o grande responsável pela disseminação da coca no território norte-americano.

    Fora a excelente reconstituição de época, nada chama a atenção em Profissão de Risco. No campo estético e formal, é claro. Porém, quando o assunto é conteúdo, tudo mudo de figura: o filme é praticamente uma apologia ao tráfico e passa uma mensagem que pode ser muito perigosa, principalmente para o público jovem.

    O trabalho do diretor Ted Demme (sobrinho do consagrado Jonhathan Demme) é, no mínimo, polêmico. O filme glamouriza o mundo do crime, mostra como é fácil enriquecer com as drogas e trata os traficantes como verdadeiros superstars. Não raramente, a platéia se percebe torcendo por Jung, personagem que nas telas é vivido de forma simpática e atraente pelo sempre carismático Johnny Depp, mas que na vida real foi um dos maiores responsáveis pela destruição de inúmeras vidas e famílias por meio do vício.

    Pode-se argumentar que o final é “edificante”, já que Jung, na vida real, teve teoricamente a pena merecida. Mas, com certeza, na mente do público não ficará a punição recebida, mas sim as imagens das festas faraônicas, das pilhas de dólares acumulados em apartamentos, da fama, da fortuna e do respeito alcançados por meio da criminalidade. Sem dúvida, um filme para se visto com o senso crítico ligado na potência máxima.

    No elenco, Penélope Cruz interpreta Mirtha, a esposa de Jung, e Franka Potente (sem os cabelos cor de laranja que a celebrizaram em Corra Lola Corra) vive Barbara, a namorada aeromoça dos tempos de Califórnia.

    6 de junho de 2001
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Televisão, Canal 21, Band News e Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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