QUAL SEU NÚMERO?

QUAL SEU NÚMERO?

(What´s Your Number?)

2011 , 108 MIN.

12 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 14/10/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Mark Mylod

    Equipe técnica

    Roteiro: Gabrielle Allan, Jennifer Crittenden

    Produção: Beau Flynn, Tripp Vinson

    Fotografia: J. Michael Muro

    Trilha Sonora: Aaron Zigman

    Estúdio: Contrafilm, New Regency Pictures

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Aaron Belyea, Alexandra East, Alyana Barbosa, Andy Favreau, Andy Samberg, Ann Dillon, Anna Faris, Anthony Mackie, Anthony Wozniak, Ari Graynor, Ashley Daniels, Ashley Jermaine, Aziz Ansari, Ben Hanson, Blythe Danner, Bronwen Booth, Carl Alleyne, Carlyne Fournier, Chris Evans, Chris Pratt, Christopher J. Davis, Colby Parsons, Dale Place, Damon Carter, Dan Marshall, Danielle Perry, Dave Annable, Denise Vasi, Ed Begley Jr., Ed Jewett, Eli Scheer, Elio Lo Russo, Eliot Hunt, Eliza Coupe, Emily Wolf, Emmy Farese, Frankie Imbergamo, Heather Burns, Henry J. Grabowski, Ivana Milicevic, J. Gulinello, Jackson Nicoll, Jackson Walsh, Jacquelyn Doucette, Jaime Galarza Jr., Jason Bowen, Jeff Martineau, Joel McHale, Johan Narsjo, John Franchi, Jon Bistline, Jonathan Cornett, Jordan Puzzo, Joshua Koopman, Karli Rose, Kate Simses, Kilo Alexander, Krystal Kenville, Larry Jackson, Lonnie Farmer, Martin Freeman, Mike Vogel, Molly Goldfarb, Nadine Jacobson, Nolan Godfrey, Oliver Jackson-Cohen, Onur Dilise, Penni Layne, Ren Knopf, Robert Masiello, Robin Ryczek, Ryan Phillippe, Shannon Carter, Shawn Marquis, Sondra James, Stephanie Atkinson, Steve Bankuti, Susan Farese, Teale Kate, Thomas Lennon, Tika Sumpter, Tyler Peck, Zachary Quinto

  • Crítica

    10/10/2011 19h01

    É, no mínimo, risível o conceito que o americano médio tem do que possa ser “ousado” ou mesmo “contraventor”. Num primeiro momento, nos anos 80, o consumidor norte-americano da indústria cinematográfica achava o ápice da ousadia a linha de comédias adolescentes lançada por Porky’s e similares, que mais tarde renderiam frutos no estilo American Pie. Depois veio a onda Irmãos Farrelly, que julgava estar ousando pelo simples fato de abordar temas ligados à escatologia e à genitália. Mais ou menos como um garotinho de cinco anos pensa que está chocando ao falar xixi, cocô e pênis durante o jantar de família.

    Mais recentemente, os produtores dos EUA chegaram à conclusão de que era necessário reciclar as comediazinhas “ousadas” adolescentes para um público adulto, e passaram a lançar uma linha de filmes “adultos” encabeçada por Se Beber, Não Case. E agora a novíssima moda é a linha feminina de Se Beber, Não Case, pois as pesquisas comprovaram que as mulheres são as grandes responsáveis pela escolha do que o casal vai ver (pagar) no cinema.

    Missão Madrinha de Casamento e Qual seu Número? são dois recentíssimos representantes desta safra. Dois filmes tão parecidos que se dão ao luxo de apresentar uma gag absolutamente igual em ambos: a cena da mulher que se levanta mais cedo que o parceiro para se arrumar no banheiro, voltar para a cama, e fingir que acorda bela todos os dias.

    Porém, não é a falta de criatividade que chama a atenção, mas sim a maneira pela qual este tipo de comédia tem se esmerado em vender uma falsa imagem de “ousadia” travestida em produtos cinematográficos da mais profunda caretice e do pior tipo de moralismo conservador.

    Repare: nestes filmes, fala-se de tudo, mas nada é mostrado. Pode-se verbalizar qualquer tipo de piada, por mais grosseira que seja, mas exibir um seio, nem pensar. E, claro, como sempre acontece nos filmes americanos, todos fazem sexo vestidos. Pode-se falar de sexo, mas jamais mostrá-lo. Fantasiados de “moderninhos”, são filmes ultraconservadores onde “tudo” é permitido... desde que as cenas finais aconteçam na mais tradicional cerimônia de casamento possível.

    Pelo jeito, os americanos ainda não se libertaram (e talvez nunca o consigam) do terrível Código Hayes, que censurou a mídia deles por várias décadas, controlando até quantos segundos podia durar um beijo. Os menos jovens provavelmente se lembram que, nos filmes, seriados e desenhos americanos dos anos 30, 40, 50 e até 60, era rigorosamente proibido mostrar um casal deitado na mesma cama, mesmo se casados fossem. A turma de minha geração achava que os casais americanos sempre dormiam em camas separadas. Incluindo Fred e Wilma Flintstone.

    Como consequência de tanto puritanismo, a comédia americana não decola no cinema desde a época de Billy Wilder, e Qual seu Número? é a prova mais recente disso. O próprio ponto de partida já é meio difícil de comprar, mas vamos lá: a jovem Ally (a pouco carismática Anna Faris) lê numa revista feminina que a mulher padrão americana média transa com 10.5 homens antes de encontrar o amor de sua vida. E que dificilmente ela encontrará este amor se ela já tiver transado com 20 homens. Como Ally contabiliza já 19 parceiros em sua em sua vida sexual, ela põe na cabeça que a partir daquele momento só fará amor com mais um parceiro que, forçosamente, terá de ser o último, o grande maridão eterno. Depois de alguns contratempos, ela sai então à procura de ex-namorados com quem já dormiu, já que percebe que sua “cota” está estourada.

    Fechando o ciclo de clichês, basta ver o pôster do filme para saber que, no final das contas, ela vai ficar mesmo com o vizinho metido a machista (o Capitão América Chris Evans, eficiente), mas que no fundo é gente boa. A velha história do príncipe encantado que estava na porta ao lado o tempo todo, enquanto a princesa percorria o mundo à sua procura.

    Escrito por Gabrielle Allan e Jennifer Crittender (duas estreantes na tela grande), o roteiro é baseado no livro 20 Times a Lady, de Karyn Bosnak. Um trio feminino de autoras cujo trabalho ficou sob a direção de Mark Mylod, o mesmo de Quem é Morto Sempre Aparece.

    Com roteiro e direções como esta, não é de se admirar que o cinema americano esteja historicamente – e cada vez mais – séculos atrás das cinematografias europeia e asiática, estas sim sempre muito mais inventivas e, consequentemente, contraventores. Cada povo tem o cinema que cultiva.

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