Pôster de Quando Eu Era Vivo

QUANDO EU ERA VIVO

(Quando Eu Era Vivo)

2013 , 108 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 31/01/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Marco Dutra

    Equipe técnica

    Roteiro: Gabriela Amaral Almeida, Marco Dutra

    Produção: Rodrigo Teixeira

    Fotografia: Ivo Lopes Araújo

    Estúdio: Camisa Treze Cultural, RT Features

    Distribuidora: Vitrine Filmes

    Elenco

    Antônio Fagundes, Eduardo Gomes, Gilda Nomacce, Helena Albergaria, Kiko Bertholini, Lilian Blanc, Lourenço Mutarelli, Marat Descartes, Rony Koren, Sandy Leah, Tuna Dwek

  • Crítica

    26/01/2014 02h00

    Fazer filme é ter de tomar decisões. Se este for adaptação de uma obra literária, os juízos têm de ser ainda mais corajosos. Marco Dutra (Trabalhar Cansa) e sua parceira de roteiro Gabriela Almeida fizeram as escolhas certas ao adaptar o livro A Arte de Produzir Efeito Sem Causa, de Lourenço Mutarelli. Souberam extrair da prosa o que era cênico e transformar em cinema o que era literário. Mas Dutra também fez uma má escolha, que deixo para revelar mais adiante.

    O longa narra a história de um personagem intrigante e complexo. Não a princípio, pois de início Júnior (Marat Descartes) nos parece apenas um homem comum sofrendo os reveses da vida de alguém comum. Ele acabou de se separar da esposa e vai buscar abrigo provisório na casa do pai, José, vivido por Antônio Fagundes.

    Ao chegar encontra o lugar em que morou e cresceu muito diferente do lar que deixou anos atrás. Seu olhar de estranhamento desfila pelos ambientes da casa. Seu pai vive sozinho depois da morte da mulher. Para ajudar nas despesas, aluga um dos quartos do apartamento para uma jovem estudante de música chamada Bruna (Sandy Leah).

    O pai de Júnior encaixotou o passado no quartinho da empregada e se livrou dos vestígios da presença da esposa. O apartamento agora está tomado por aparelhos de ginástica e potes de suplemento alimentar – este novo pai que Júnior parece desconhecer é agora um obcecado pela boa forma.

    José aparentemente é apenas um homem reinventando a vida depois da perda da companheira. Júnior suspostamente está no processo inicial de fazer o mesmo. Mas as aparências enganam em Quando Eu Era Vivo. A trama, o espectador não demora a descobrir, vai muito além do desconforto entre pai e filho.

    De homem deprimido pela separação, Júnior aos poucos vai se mostrar doentiamente preso a acontecimentos de um passado obscuro que envolve sua mãe e um irmão do qual o filme não informa o paradeiro – também não o farei aqui para evitar revelar detalhes cruciais do enredo. De abatido a paranoico, vai deixando ser alguém por quem o espectador alimenta comiseração para torna-se vetor de medo e tensão.

    O arco dramático do protagonista e as situações aflitivas que passam a dar o tom do filme a partir de sua segunda metade são muito bem conduzidos pelo diretor. Marat Descartes, eficiente como de costume, carrega seu personagem de verdade – o ator revelou ter se inspirado no personagem de Jack Nicholson em O Iluminado para compor Júnior.

    Como manda a cartilha do gênero, Quando Eu Era Vivo surpreende o público em vários momentos e tem um final apreensivo e pouco previsível. Mas daí voltamos às decisões que mencionei no começo deste texto. A má escolha de Marco Dutra foi optar por pontuar seu filme como passagens cômicas. Não funcionou. Estas destoam do propósito basilar da trama e só servem para minar o crescente de ansiedade que caracteriza o bom filme de suspense.

    Fazer filme é ter de tomar decisões. Às vezes se faz boas escolhas, às vezes não. Em alguns momentos se faz ambas as coisas.

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