QUASE DOIS IRMÃOS

QUASE DOIS IRMÃOS

(Quase Dois Irmãos)

2004 , 102 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Lúcia Murat

    Equipe técnica

    Roteiro: Paulo Lins

    Produção: Lúcia Murat

    Fotografia: Jacob Solitrenick

    Trilha Sonora: Naná Vasconcelos

    Elenco

    Antônio Pompeo, Caco Ciocler, Flavio Bauraqui, Maria Flor, Renato Souza, Werner Schunemann

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Os críticos da chamada "Cosmética da Fome" (até o final do texto eu explico) vão tremer em seus túmulos. Ou melhor, em suas redações. Depois de um bom tempo de prateleira, estréia finalmente o excelente Quase Dois Irmãos, de Lúcia Murat.

    O roteiro, assinado pela diretora em parceria com Paulo Lins (autor do livro que originou Cidade de Deus), narra a trajetória de dois homens ao mesmo tempo muito iguais e completamente diferentes entre si: Miguel (Werner Schunemann) e Jorge (Antonio Pompeo), os quase irmãos do título. Convivendo desde a infância, os amigos tomaram rumos diferentes na vida: enquanto Miguel se tornou um intelectual de classe média e, posteriormente, deputado federal, Jorge liderou o Comando Vermelho, organização que combatia a ditadura militar brasileira dos anos 60, 70 e 80. Miguel é advogado. Jorge é filho de sambista. Miguel é branco. Jorge é negro. Quase dois irmãos? Sim, mas separados pela fossa abissal brasileira que existe entre ricos e pobres. E que transforma nossas diferenças sociais numa surda e diária guerra civil.

    As vidas dos dois personagens se cruzam, se entrelaçam; eles se amam e se odeiam em diferentes momentos de nossa história. Sem ordem cronológica nem maniqueísmos fáceis. O que transforma Quase Dois Irmãos não só num belo panorama histórico, social e cultural do Brasil dos últimos 50 anos, como também num instigante exercício cinematográfico. A ingenuidade do antigo samba de morro, o golpe militar, a resistência civil, a escalada brutal da violência, tudo está no filme. Em linguagem ágil, reconstituição de época admirável, direção de arte soturna e magníficas interpretações.

    É gratificante ver o amadurecimento da cineasta Lúcia Murat - que vivenciou na própria pele a experiência de ser presa política torturada no presídio de Ilha Grande. Depois de Doces Poderes e Brava Gente Brasileira, realiza esta obra forte, vigorosa, que deveria, a partir de agora, constar no currículo de toda escola que se disponha a ensinar sociologia e História do Brasil aos seus alunos.

    Quanto à "Cosmética da Fome", trata-se de uma teoria tola segundo a qual alguns cineastas brasileiros estariam glamurizando a nossa pobreza para construir belos efeitos estéticos cinematográficos para o mercado. Bobagem.

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