QUASE NADA

QUASE NADA

(Quase Nada)

2000 , 90 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sérgio Rezende

    Equipe técnica

    Roteiro: Sérgio Rezende

    Produção: Mariza Leão

    Fotografia: Guy Gonçalves

    Trilha Sonora: David Tygel

    Elenco

    Augusto Pompeo, Caio Junqueira, Camilo Bevilacqua, Denise Weinberg, Genézio de Barros

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Depois de duas superproduções em seguida (Canudos e Mauá, O Imperador e o Rei) o diretor Sergio Rezende partiu para um projeto mais intimista e de custos mais adaptados à realidade brasileira: Quase Nada.

    A história é dividida em três episódios. O primeiro, Foice, narra a desavença entre dois compadres bóias-frias por causa de uma besteira... de quase nada. O segundo, Veneno, mostra um peão perturbado pelos seus próprios medos, e que por quase nada é capaz de cometer uma loucura. E o terceiro, Machado, fala do desespero de um plantador de flores que é capaz de matar sua bela esposa... também por quase nada.

    Entre os três episódios, muitos pontos em comum: a constante presença da Morte, o ritmo lento da vida rural, a introspecção. Destruindo os mitos da simplicidade e da pureza do homem do campo, o filme abre com um vôo panorâmico sobre a caótica cidade do Rio e Janeiro. Aos poucos, a câmera tira o espectador da realidade urbana e o transporta para a paz dos sertões e das montanhas. Paz? Longe disso! O roteiro parece propor que as neuroses, inseguranças e pavores, típicos do ser humano, estão presentes tanto na cidade grande como no mais distante casebre do país. Porque a angústia é do Homem, e não do lugar onde ele está. Porque a insanidade é do indivíduo, e não da sociedade.

    Mas Quase Nada agrada também a quem não estiver nada disposto a fazer este tipo de elocubração. Tecnicamente, enche os olhos com a fotografia de Guy Gonçalves, que trabalha os tons quentes do interior do Brasil. Enche os ouvidos com a trilha sonora hipnótica de David Tygel, que se dá ao luxo de utilizar uma melódica cítara indiana. E principalmente enche o coração com a direção segura de Rezende, que sabe em todos os momentos onde colocar sua câmera.
    Como se tudo isso não bastasse, o elenco de nomes pouco estelares (José Augusto Pompeu, Camilo Bevilacqua, Jurandir de Oliveira, Genézio de Barros, Denise Weinberg, Chico Expedito, Caio Junqueira, Ana Luiza Rabello) está afiadíssimo e beirando à perfeição.

    O título do filme é mais do que apropriado. Com quase nada (menos de 400 mil dólares), Rezende fez quase tudo. Ou seja, com cenografia minimalista, poucas palavras, e situações simples vividas por gente simples, o cineasta realizou – pelo menos até agora - um dos melhores filmes brasileiros deste ano.

    19 de julho de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, e do Canal 21.

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