QUE ESTRANHO CHAMAR-SE FREDERICO!

QUE ESTRANHO CHAMAR-SE FEDERICO!

(Che Strano Chiamarsi Federico!)

2013 , 90 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 05/06/2014

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Ettore Scola

    Equipe técnica

    Roteiro: Ettore Scola, Paola Scola, Silvia Scola

    Fotografia: Luciano Tovoli

    Trilha Sonora: Andrea Guerra

    Estúdio: Cinecittà Luce, Palomar, PayperMoon Italia

    Montador: Raimondo Crociani

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Andrea Salerno, Antonella Attili, Carlo Luca De Ruggieri, Emiliano De Martino, Ernesto D'Argenio, Fabio Morici, Giacomo Lazotti, Giulio Forges Davanzati, Maurizio De Santis, Sergio Pierattini, Sergio Rubini, Tommaso Lazotti

  • Crítica

    04/06/2014 13h36

    Há duas décadas, o mundo perdeu a inventividade do cineasta Federico Fellini, que produziu mais de vinte títulos durante sua carreira e é até hoje uma das maiores referências do cinema italiano. Quiçá mundial. Sua trajetória é obviamente merecedora de reconstituição. A ideia fica ainda melhor quando o registro é realizado pelo melhor amigo do diretor, o também cineasta Ettore Scola. Impossível imaginar um recorte mais inspirado.

    Apresentado no festival de Veneza deste ano, Que Estranho Chamar-se Federico! tem o tom de homenagem esperado de uma história contada pela ótica de um grande amigo - e grande cineasta também. Com imagens de arquivo e uma retrospectiva desde a estreia do cineasta em 1939, como jovem desenhista, até seu quinto Oscar em 1993, o filme é constituído de fragmentos, impressões e momentos reconstruídos através de imagens ora atuadas, ora reais.

    A trajetória do cineasta é contada por um narrador, que transita entre os cenários reconstituídos a partir da chegada do então jovem Fellini, vindo da pequena cidade natal Rimini para a vida em Roma para trabalhar na redação do jornal satírico Marc'Aurelio. Ingênuo e talentoso, ele começa sua carreira como autor e cartunista do periódico, onde floresce seu talento para contar e ilustrar histórias.

    No primeiro momento, o filme é baseado integralmente em atuações, supõe-se então que restaram poucos registros de sua passagem pelo Marc'Aurelio. A reconstrução do ambiente criativo no jornal revela com humor a natureza do cineasta e é repleta de cenas divertidas, que dão bom ritmo ao filme. À medida que sua carreira se desenvolve, as imagens de arquivo passam a ser inseridas com muito cuidado por Scola, que consegue imprimir seu ponto de vista sobre a transformação do garoto de 19 anos do início da história para o consagrado diretor. Jovem brilhante, homem brilhante.

    Ainda que a evolução fique clara, há pequenas lacunas na jornada de Fellini ao longo do filme, que começa com a aparente intenção de revelar a trajetória profissional do direitor e ganha um tom mais pessoal. A mudança reflete o fato de Fellini e Scola terem se conhecido 9 anos após a chegada do Maestro em Roma, ou seja, do início do filme. Não prejudica, mas vale alertar que o relato ganha outra perspectiva: se no início, as características do diretor são pouco definidas, da metade para a frente é o aspecto profissional que é menos aprofundado. Mas é neste momento em que as melhores histórias começam a surgir.

    A homenagem é valiosa. Como não se imaginar vagando de carro com Fellini e Scola, em busca de inspiração pelas ruas de Roma? Ou ouvindo as boas mentiras que ele contava para "melhorar" a vida real? Para quem já gosta do diretor, este filme é uma oportunidade para conhecer histórias e característas do homem longe do set de filmagem. E para quem pouco sabe sobre sua carreira, certamente despertará o desejo de conhecer as obras que a mente fértil e criativa de Fellini criou. Absolutamente inspirador.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus