QUERIDA WENDY

QUERIDA WENDY

(Dear Wendy)

2005 , 101 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Thomas Vinterberg

    Equipe técnica

    Roteiro: Lars von Trier

    Produção: Sisse Graum Jørgensen

    Fotografia: Anthony Dod Mantle

    Trilha Sonora: Benjamin Wallfisch

    Estúdio: Zentropa Entertainments

    Elenco

    Alison Pill, Bill Pullman, Chris Owen, Danso Gordon, Jamie Bell, Michael Angarano, Novella Nelson

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Querida Wendy é um filme que reúne uma dupla de peso do cinema contemporâneo: dirigido por Thomas Vintemberg, tem roteiro escrito por Lars Von Trier. A dupla, que encabeçou o movimento Dogma (por mais que o movimento não exista mais, os dois cineastas sempre serão lembrados por isso) apresenta aqui um filme, no mínimo, excelente, desde a direção, o roteiro e interpretações até a trilha sonora, composta por clássicos da banda de rock-and-roll The Zombies. O resultado é uma peça cinematográfica única que discute assunto pertinente, cada vez mais discutido no cinema: o fascínio pelas armas.

    Dick (Jamie Bell) é um jovem solitário que vive numa cidadezinha norte-americana chamada Estherslope. Pacifista, o filho de um mineiro de carvão prefere não trabalhar no mesmo lugar que o pai, apesar de saber que um emprego nas minas equivale a um certo status no lugar onde vive. Mas, bem, o lugar onde Dick vive é povoado de verdadeiros caipiras, então não há muitos motivos para s ter status por ali. Dessa forma, o jovem prefere permanecer à margem dessa pequena sociedade. Sem muitos amigos, Dick ganha a confiança inexistente quando compra uma arma, que achava ser de brinquedo. Depois de batizá-la de Wendy, o narrador desta história resolve fundar um clube com outros quatro jovens "perdedores" da cidade. Os cinco reúnem-se semanalmente numa área abandonada da mina para estudar armas e tudo referente a elas. Praticam tiro e veneram os objetos como se fosse uma verdadeira religião. Nesse mundo à parte, que tenta unir o pacifismo ao fascínio em relação às armas, eles são os Dandies e tem uma regra de conduta que os guia: nunca sacar uma arma em público. Muito menos atirar.

    Querida Wendy se passa não em uma cidade, mas em uma praça. O quadrado, formado por menos de dez quadras, é o universo do longa-metragem, que trata de forma primorosa a relação entre o medo e a necessidade do porte de armas. Todos os personagens vivem numa redoma de medo, por mais que estejam em um ambiente reduzido a uma praça. Os jovens adquirem autoconfiança ao saber que têm um revólver no bolso, por mais que não se interessem em usá-lo. As armas são como fantasmas e estão presentes em todo filme. Chocante, Querida Wendy não tem medo de levar as situações ao nível mais extremo. É um filme violento, como não poderia deixar de ser, uma vez que se trata sobre a presença de armas na vida de um grupo de jovens. No entanto, é conduzido de forma magistral, sensível e nada apelativa, tocando o espectador e fazendo com que ele pense. Afinal, não são somente os personagens deste filme vivem baseados no medo. O medo é real. Mesmo que estejam em um ambiente aparentemente tranqüilo, é desse sentimento que seus atos são alimentados, nada muito diferente de habitantes de grandes metrópoles, seja nos EUA ou aqui. Por isso, Querida Wendy faz com que o espectador pense sobre questões pertinentes não somente em relação à sociedade, mas também à própria psicologia humana. A questão do medo é muito bem abordada, bem como a relação de degradação e crescimento dos Dandies. Ao mesmo tempo em que os revólveres fazem com que se sintam mais seguros, são os objetos que os levam à degradação final. Afinal, com uma arma na mão, boas intenções não valem muita coisa.

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