QUINCAS BERRO D'ÁGUA

QUINCAS BERRO D'ÁGUA

(Quincas Berro D'Água)

2010 ,

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia: 21/05/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sergio Machado

    Equipe técnica

    Roteiro: Sergio Machado

    Produção: Maurício Andrade Ramos, Walter Salles

    Fotografia: Toca Seabra

    Trilha Sonora: Beto Villares

    Estúdio: Globo Filmes, Miravista, VideoFilmes

    Distribuidora: Disney

    Elenco

    Flavio Bauraqui, Frank Menezes, Irandhir Santos, Luis Miranda, Mariana Ximenes, Marieta Severo, Paulo José, Vladimir Brichta

  • Crítica

    17/05/2010 17h45

    Se é verdade que Jorge Amado não tem merecido dos nossos cineastas adaptações cinematográficas à altura da qualidade e da popularidade de sua obra, a comédia Quincas Berro D'Água chega para tentar reparar pelo menos um pouco desta injustiça. Baseado no livro A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água, lançado em 1958, o filme consegue levar para a tela boa parte do humor, da picardia, da malandragem e da crítica social que sempre permearam a obra do famoso escritor baiano.

    O Quincas do título (Paulo José, fantástico) é um boêmio convicto, apaixonado pela bebida, pelos fieis amigos cachaceiros e pelas alegres prostitutas da noite soteropolitana. Um homem feliz demais para aceitar que a sua morte venha a ocorrer justamente no dia do seu aniversário. E a poucas horas do que seria mais uma grande esbórnia comemorativa. Da mesma forma, seu alegre bando de amigos também se recusa a crer que Quincas tenha morrido antes da própria festa. Talvez, aquele cadáver não passasse de mais uma brincadeira do sempre brincalhão Quincas, quem sabe? Na dúvida, vamos todos à farra! Mesmo morto, nosso herói não vai perder a derradeira e definitiva “saideira”.

    Mas as coisas não serão fáceis. Do outro lado da cidade, do outro lado da sociedade, a família do protagonista reclama para si a posse e a propriedade do defunto. Sim, porque antes de se dedicar de corpo, alma e fígado à boemia, Quincas era um homem respeitável, de família tradicional, que um dia trocou o insuportável torpor das falsas aparências pela ilimitada alegria dos prazeres da vida.

    Durante toda uma noite, o cadáver será disputado por dois grupos antagônicos: a sociedade aburguesada apavorada pelo escândalo das aparências e a comunidade empobrecida que precisa viver cada noite como se fosse a única. Porque talvez realmente seja. Um tema nada estranho para um autor que passou a vida numa capital dividida entre Cidade Alta e Cidade Baixa. Um tema nada estranho para quem mora em um dos dois “Brasis”.

    Cidade Baixa, por sinal, é o trabalho anterior do cineasta baiano Sérgio Machado, diretor de Quincas Berro D'Água. É dele também o ótimo documentário Onde a Terra Acaba, o que sinaliza uma carreira de grande talento e ecletismo. Afinal, poucos brasileiros podem se orgulhar de terem dirigido três longas de grande qualidade, antes dos 42 anos de idade.

    Quincas Berro D'Água salta aos olhos pelo seu excelente elenco (seria injusto ressaltar um ou outro), fotografia e trilha sonora acima da média, ritmo e - pasmem - efeitos especiais. Se alguém ainda acha que o cinema brasileiro não sabe fazer efeitos especiais, vale uma olhada, principalmente nas cenas de tempestades marítimas.

    Além da firme direção de Machado, Quincas Berro D'Água catalisa também a produção de dois cineastas brasileiros que, numa primeira orelhada, soariam dissonantes: Guel Arraes e Walter Salles Jr. O primeiro, sempre sintonizado com o cinema de resultados comerciais, é um dos principais nomes dos núcleos produtivos da Globo, seja a TV, seja seu braço cinematográfico. E o segundo, totalmente autoral, é um nome muito mais ligado à qualidade artística da obra cinematográfica. Pois bem: esta mistura de água e óleo foi das mais saudáveis para o filme, que conseguiu aliar conteúdo, diversão, crítica social, humor e qualidade técnica.

    Mais uma prova que entretenimento e arte podem, sim, caminhar juntas na tela do cinema.

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