Pôster do filme  Rafiki

RAFIKI

(Rafiki)

2018 , 83 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 08/08/2019

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Wanuri Kahiu

    Equipe técnica

    Roteiro: Jenna Cato Bass, Wanuri Kahiu

    Produção: Claire Gadea, Georges Schoucair, Gerhard Meixner, Marie-Pierre Macia, Reinier Selen, Roman Paul, Ruben Thorkildsen, Steven Markovitz, Tamsin Ranger, Verona Meier, Wanuri Kahiu

    Fotografia: Ruben Thorkildsen

    Estúdio: Ape, Big World Cinema, MPM Film, Razor Film Produktion GmbH, Rinkel Film, Schortcut Films

    Montador: Isabelle Dedieu, Ronelle Loots

    Distribuidora: Ipecine

    Elenco

    Charlie Karumi, Dennis Musyoka, Derrick Assetto, Edwin Owino, Githae Njogu, Jane Wachu, Jimmy Gathu, Juliette Achieng', Justin Mirichii, Leila Weema, Mary Wanjiku, Mburu Kimani, Mellen Aura, Muthoni Gathecha, Neville Misati, Nice Githinji, Nini Wacera, Patricia Amira, Patricia Kihoro, Priscilla Wanjiku, Samantha Mugatsia, Sheila Munyiva, Stephen Ruiru, Vitalis Waweru

  • Crítica

    21/08/2019 09h56

    Por Sara Cerqueira

    A homofobia é um dos preconceitos que estruturam praticamente todas as sociedades. Por estarmos em um país extremamente hostil a LGBTQs (o Brasil registra um homicídio por homofobia a cada 23 horas), é comum pensarmos que nosso país é um dos únicos no mundo que abusam, maltratam, hostilizam e assassinam cidadãos homossexuais. Entretanto, sabemos que tal preconceito faz parte da história das civilizações ocidentais e orientais do planeta.

    Em Rafiki, filme da diretora queniana Wanuri Kahiu, conhecemos uma bela história de amor e as consequências de uma sociedade misógina e homofóbica na vida de duas jovens garotas quenianas apaixonadas, vítimas de uma sociedade tradicionalista e que valoriza apenas as relações que possuam uma presença masculina. Kena (Samantha Mugatsia) é uma jovem que já presenciou, observando o sofrimento da própria mãe, o sofrimento ao qual as mulheres são submetidas quando não possuem uma presença masculina do lado. Ziki (Sheila Munyia) tem em suas amigas e na dança uma válvula de escape de um cotidiano pouco criativo e acolhedor, especialmente com as mulheres. Quando as duas garotas se apaixonam, acabam tendo que enfrentar a hostilidade de uma comunidade conservadora e presa a tradições desumanizantes contra mulheres e homossexuais.

    Um dos elementos mais bem trabalhados do longa de Wanuri Kahiu é a estreita relação que a diretora fez questão de construir entre a misoginia e a homofobia (no caso das garotas, mais especificamente a lesbofobia). A ideia de superioridade masculina é cultuada em todas as relações sociais (desde a celebração com muito mais ênfase do nascimento de um bebê menino na família até o casamento de uma mulher jovem com um homem que possa provê-la) e, na relações amorosas, isso não poderia ser diferente. Mesmo com a ascensão da mulher a cargos de poder, chefia e seu acesso aos estudos ter sido arduamente conquistado, ainda espera-se que exista um casamento no qual ela tire proveito financeiro e seja "protegida" pelo seu marido. Isso tudo soa familiar, né? Logo, espera-se que uma relação amorosa e/ou sexual entre homens ou mulheres quebra essa lógica e enfureça a sociedade. No longa, as protagonistas são, o tempo todo, vítimas de situações preconceituosas que alternam entre a misoginia e a lesbofobia. Ao fim, sabemos que ambos os preconceitos se retroalimentam e não sobrevivem sozinhos.

    Para além dos comentários sociais e da crítica ao estilo de vida interiorano (onde todo mundo está vigiando constantemente a vida de todo o mundo), o longa se retrai dramaticamente e economiza por demais nos arcos e camadas dos personagens, inclusive das próprias protagonistas. Apesar do cast trabalhar bem, o filme peca pela simplicidade do roteiro e acaba investindo todas as suas forças apenas em seus comentários sobre o preconceito (que são válidos e devem ser a prioridade, mas poderiam ter como base personagens e situações mais complexos).

    Entretanto, essa falha não nos priva totalmente de uma experiência agradável. Com uma lindíssima paleta de cores (que incorpora de maneira suave e natural cores vibrantes e fluorescentes) e cenários familiares, o longa nos faz empatizar com dores que, infelizmente, são sentidas por seres humanos ao redor de todo o mundo.

    Mesmo que ensinando o básico da luta contra a homofobia, Rafiki nos conta uma comovente história de amor na adolescência em meio ao ódio.

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