RAY

RAY

(Ray)

2004 , 152 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Taylor Hackford

    Equipe técnica

    Roteiro: James L. White, Taylor Hackford

    Produção: Howard Baldwin, Karen Elise Baldwin, Paul Pompian, Stuart Benjamin, Taylor Hackford

    Fotografia: Pawel Edelman

    Trilha Sonora: Craig Armstrong

    Estúdio: Anvil Films, Baldwin Entertainment Group, Bristol Bay Productions, Universal Pictures

    Elenco

    Afemo Omilami, Alex Van, Alonzo Bowens, Aunjanue Ellis, Bill Breaux, Bokeem Woodbine, C.J. Sanders, Carol Sutton, Chris Thomas King, Clarence Johnson, Clifton Powell, Curtis Armstrong, Darnell Williams, David Krumholtz, Denise Dowse, Edward Anderson, Edwin Livingston, Elizabeth Omilami, Eric O'Neal Jr., Estella Denson, Fahnlohnee R. Harris, Gary Grubbs, Harry Lennix, Herman LeBeaux, J. Todd Smith, James Huston, Jamie Foxx, Jamil Sharif, Jedda Jones, Jeff Galpin, John Swasey, Johnny O'Neill, Julian Bond, Kerry Washington, Kimberly J. Ardison, Kurt Fuller, Kyle Scott Jackson, Larenz Tate, Marc Lynn, Matthew Benjamin, Michael Arata, Michael Travis Stone, Mike Pniewski, Patrick Bauchau, Raymond Webber, Regina King, Renee Wilson, Richard A. Smith, Richard Schiff, Rick Gomez, Robert Wisdom, Roland Bob Harris, Rutherford Cravens, Sharon Warren, Tequan Richmond, Terrence Howard, Terrone Bell, Thomas Jefferson Byrd, Tom Clark, Vernel Bagneris, Warwick Davis, Wendell Pierce, Willie Metcalf

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Interpretar uma pessoa que realmente existiu não deve ser trabalho fácil. A performance do ator em uma cinebiografia sofre mais cobranças ainda por conta das comparações, ainda mais quando a figura retratada foi popular no mundo inteiro. O trabalho de Jamie Foxx como protagonista de Ray é um exemplo de interpretação que dá alma a um filme. Como o músico Ray Charles, morto em 2004, Foxx colhe não somente prêmios, mas reconhecimento. E muito.

    Se você passou os últimos vinte anos dormindo e não faz a mínima idéia de quem foi Ray Charles, ou mesmo nunca ouviu sequer uma canção deste compositor que moldou a soul music que conhecemos hoje, sinto muito. Ray foi uma figura notável do mundo do entretenimento, contribuindo muito mais do que com músicas como I Got a Woman, Drown in My Own Tears e Unchain My Heart, e é exatamente isso que mostra este filme dirigido por Taylor Hackford. Mais do que relembrar os sucessos e as qualidades do cantor e pianista, o diretor também apresenta os momentos de superação pelos quais Ray viveu - incluindo a cegueira, na infância, e o vício por heroína -, tornando esta cinebiografia não somente uma forma de exaltação gratuita de uma figura, mas o retrato honesto de um homem que deixou uma marca indelével na cultura.

    Ray não tem uma narrativa linear: começa um pouco antes do cantor chegar em Seattle, onde tomou contato com a sociedade musical norte-americana, na década de 40. Por meio de flashbacks, o roteiro nos mostra como ele ficou cego, apresenta um de seus maiores traumas - o de ver o irmão mais novo morrer afogado - e coloca como grande personagem nessa trajetória a mãe do cantor, que teve papel fundamental ao educar Ray Charles Robinson para que ele não se humilhasse ou deixasse ser tratado como aleijado por conta de sua cegueira.

    As lições deram certo e o Ray do filme consegue se virar muito bem de forma independente. Mulherengo, tenta evitar ao máximo que a cegueira seja um empecilho nos negócios dentro da indústria fonográfica, cheia de pessoas mal-intencionadas. Sim, Ray leva alguns tropeções no meio do caminho - além de ser enganado por algumas pessoas, ele ainda é preso por posse de heroína quando era viciado na droga. Mesmo assim, as figuras femininas foram muito importantes em sua vida: além da mãe já citada, Ray teve duas mulheres importantes em sua vida: Della Bea (Kerry Washington), sua esposa e mãe dos dois filhos, e Margie (Regina King), sua cantora e mulher durante as turnês.

    Ray é preocupado e focar algumas passagens significantes na carreira do cantor, especialmente durante o começo. Talvez para manter uma certa aura sobre sua figura, Hackford resolveu não detalhar o momento profissional e criativo do artista a partir de meados da década de 60, quando sua música começou a ficar pop demais para os fãs.

    Na verdade, não é bem um retrato fiel que Taylor Hackford quis fazer. Não se trata de um documentário e Ray não se propõe a isso. Ray Charles era uma pessoa que tinha tudo para ser segregado pela sociedade, mas não se conformou. Negro, nasceu e foi criado em uma Geórgia racista da década de 30. Pobre, ficou cego aos seis anos, teve de lidar com o trauma de ver o irmão mais novo morrer na sua frente e cresceu remoendo lembranças da mãe, morta um pouco depois de enviá-lo a uma escola para cegos. Mesmo assim, o cantor não se deu por vencido, conseguindo deixar sua marca e é exatamente isso que Ray pretende perpetuar.

    Vale destacar, mais do que qualquer outra coisa, a performance de Jamie Foxx. Formado em piano clássico, não precisou de dublês para interpretar Ray no instrumento. Para você ter uma idéia, ele teve de usar uma prótese nos olhos que realmente fez com que ficasse cego durante as filmagens. Enquanto Ray Charles dizia ser um ótimo imitador de vozes por conta de sua audição apurada, Foxx parece ser um tremendo imitador de movimentos, muito parecidos com os do personagem original. Para isso, o ator chegou a acompanhar o cantor um pouco antes de sua morte, mas chegou à conclusão que um Ray Charles de 73 anos não ajudaria na composição do personagem aos 19.

    Jamie Foxx merece cada um dos prêmios e louros que vem recebido por este trabalho. Mais do que a belíssima fotografia, a trilha sonora ou a direção de Hackford, está em Foxx a verdadeira alma de Ray.

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