Real beleza

REAL BELEZA

(Real Beleza)

2014 , 84 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 06/08/2015

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jorge Furtado

    Equipe técnica

    Roteiro: Jorge Furtado

    Produção: Guel Arraes

    Fotografia: Alex Sernambi

    Estúdio: Casa de Cinema de Porto Alegre, Globo Filmes

    Montador: Giba Assis Brasil

    Distribuidora: Elo Company

    Elenco

    Adriana Esteves, Elisa Volpatto, Francisco Cuoco, Isadora Pillar, Maria Carolina Ribeiro, Samuel Reginatto, Thiago Prade, Úrsula Collischonn, Vitória Strada, Vladimir Brichta

  • Crítica

    04/08/2015 17h25

    Por Daniel Reininger

    O primeiro drama do diretor e roteirista Jorge Furtado (O Homem Que Copiava) é um típico romance clássico com elementos de transformação. Com semelhanças a As Pontes De Madison e A Coleção Invisível, filmes com os quais já foi comparado mais de uma vez, Real Beleza tem uma abertura interessante, mas perde ritmo e acaba deixando de surpreender quando poderia. Mesmo assim, agrada com história leve sem grandes conflitos.

    O longa brasileiro conta a história de um famoso fotógrafo em crise (Vladimir Brichta) que viaja pelo interior do Rio Grande do Sul em busca de modelos. Quando encontra Maria (Vitória Strada), decide que vale a pena tentar convencer seus pais, Anita (Adriana Esteves) e Pedro (Francisco Cuoco), a deixá-la seguir a carreira em São Paulo. Só que o fotógrafo acaba se apaixonando pela mãe da garota, que, por sinal, é esposa de Brichta na vida real. Aí as coisas se complicam (mas não muito, na verdade).

    O casal principal, que faz par pela primeira vez na telona, foi prioridade do diretor desde o início do projeto e, obviamente, a química é algo natural para eles - o que ajuda muito o filme. Francisco Cuoco, por sua vez, vive um apaixonado pela poesia e artes, mas que está cego e sofre com isso. Por sinal, o veterano passou cerca de 30 anos sem fazer cinema, mas encarna bem o personagem e vai além do papel padrão de patriarca dominador. O longa ainda apresenta Vitória Strada, atriz gaúcha escolhida entre 300 garotas, e ela não decepciona.

    O longa encanta ainda pelas paisagens naturais da serra gaúcha, mas a fotografia, apesar da premissa do longa, não surpreende. Planos abertos sem inspiração reforçam a beleza natural, closes forçados, típicos de novela, são usados incansavelmente para frisar as emoções. A iluminação é sempre muito clara e sem surpresas, a montagem é linear e simples e a boa trilha sonora é usada de forma exagerada - funcionaria melhor se fosse mais sutil. Além disso, os diálogos são demasiadamente expositivos e artificiais, falta improvisação e os atores sempre pronunciam tudo da forma mais perfeita possível.

    O roteiro até parece querer discutir temas mais profundos, como a importância das artes e do conhecimento, fazer uma análise da beleza e do universo machista da moda e, até mesmo, fora dele. Entretanto são assuntos nunca aprofundados, que estão ali, mas não ganham importância. O próprio Furtado admitiu ao Cineclick que não pensou em desenvolver essas questões. Com isso, o filme perde potencial e não consegue deixar de ser um simples romance padrão.

    No final, a produção ainda peca não só ao evitar conflitos capazes de deixar a trama mais interessante, mas também por se esforçar demais para criar finais felizes para cada um dos personagens, até mesmo os secundários – algo contra qualquer lógica. É um otimismo exagerado e com discurso de superação mais do que batido. Por isso mesmo, para aqueles que querem passar um tempo romântico no cinema e apenas relaxar, essa produção é uma boa opção, mas não espere muito mais que isso.

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