REALITY: A GRANDE ILUSÃO

REALITY: A GRANDE ILUSÃO

(Reality)

2012 , 110 MIN.

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 26/04/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Matteo Garrone

    Equipe técnica

    Roteiro: Massimo Gaudioso, Matteo Garrone, Maurizio Braucci, Ugo Chiti

    Produção: Domenico Procacci, Matteo Garrone

    Fotografia: Marco Onorato

    Trilha Sonora: Alexandre Desplat

    Estúdio: Archimede, Canal+, Coficup, Fandango, Intesa San Paolo, Rai Cinema, Soficinéma 7

    Distribuidora: Europa Filmes

    Elenco

    Alessandra Scognamillo, Angelica Borghese, Aniello Arena, Arturo Gambardella, Carlo Del Sorbo, Ciro Petrone, Claudia Gerini, Giuseppina Cervizzi, Loredana Simioli, Martina Graziuso, Nando Paone, Nello Iorio, Nunzia Schiano, Paola Minaccioni, Raffaele Ferrante, Rosaria D'Urso, Salvatore Misticone

  • Crítica

    22/04/2013 14h30

    Essa era a prova de fogo para Matteo Garrone. Após realizar, em 2008, o ótimo Gomorra e conquistar fama mundial, o cineasta italiano precisava convencer público e crítica de que o seu talento não foi obra do acaso. Com muito orgulho, o diretor pode considerar-se aprovado com louvor nesse perigoso teste.

    Reality
    é uma obra madura, com forte crítica social e ótimo desfecho. Uma grande fábula moderna sem final feliz. A mensagem do filme é simples e direta: seja bem-vindo à realidade, nua e crua, da classe trabalhadora que precisa de sonhos para superar as dificuldades de sua melancólica rotina.

    Logo de início, uma festa de casamento reforça o clima de fábula: carruagens, vestimentas e trilha sonora típica levam a acreditar que o longa seguirá este caminho. Mas na sequência, somos apresentados à dura realidade do protagonista: um napolitano que vive burlando a lei para conseguir uma vida digna.

    O diretor faz uso da famosa frase de Andy Warhol: “Um dia, todos terão direito a 15 minutos de fama na vida”, para satirizar os reality shows que tomam conta da televisão mundial. Na história, o peixeiro Luciano faz um teste, a pedido da filha, para o Grande Fratello, versão italiana do Big Brother. Após ser aprovado na primeira fase de seleção e receber elogios do produtor, o homem entra em profunda paranóia, que é apoiada por alguns familiares, ao achar que já está garantido dentro da casa e que membros do programa estão supervisionando todos os seus passos.

    A crítica à sociedade de consumo é feita com grande cuidado. O relacionamento entre o espectador e os astros relâmpagos vem à tona com clareza. Afinal, de tanto assistir algo, qualquer pessoa pode sentir-se parte daquilo e transcender os limites da imaginação, criando perigosas ilusões sobre a realidade a sua volta.

    Para que isso ficasse claro, Garrone criou um verdadeiro palco para seu o protagonista. A vila que o cerca durante todo o filme foi desenhada para ser parte de um grande teatro, onde os atores ficam acima do público, neste caso em uma peixaria. O elenco, bem selecionado, consegue dar uma boa dose de realidade, sempre ela, aos caricatos personagens repletos de traquejos do sul italiano.

    Apesar de todas as qualidades, Reality perde fôlego em sua segunda metade e escorrega por insistir em algumas cenas repetitivas. Por sorte, ou seria talento, a crítica social idealizada pelo diretor já estava formada e o resultado final se mantém acima da média, consolidando Garrone como um dos bons diretores em atividade e com um diferencial interessante: clareza para atingir um público fora de seu nicho natural. Recomendado para boa parte da população brasileira, afinal vivemos no país das celebridades de plástico.



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