REDEMOINHO

REDEMOINHO

(Maelström)

2001 , 88 MIN.

14 anos

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Denis Villeneuve

    Equipe técnica

    Roteiro: Denis Villeneuve

    Produção: Luc Vandal, Roger Frappier

    Fotografia: André Turpin

    Trilha Sonora: Pierre Desrochers

    Estúdio: Téléfilm Canada

    Elenco

    Jean-Nicolas Verreault, John Dunn-Hill, Marc Gélinas, Marie-Josée Croze, Pierre Lebeau, Stephanie Morgenstern

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Bibiane (Marie-Josée Croze) está à beira do desespero. Ela acaba de fazer um aborto, perdeu o emprego e agora só conta com o apoio da única amiga, Claire (Stephani Morgenstern). Para piorar a situação, ela atropela – sem perceber – um velho pescador. Definitivamente, sua vida parece ter entrado em queda livre. Porém, os mais improváveis caminhos do acaso conspiram para dar a Bibiane uma segunda chance. Ou até uma terceira, se for necessário.

    As primeiras cenas já alertam o espectador para o tom de fábula, quase surreal, que vai permear Redemoinho: toda a história é narrada por um peixe mortalmente ameaçado pelo facão de um peixeiro. É possível confiar nele? Logo em seguida, o antigo sucesso “Good Morning Starshine” embala alegremente uma pesada cena de aborto. Prenúncio de uma narrativa sarcástica.

    A partir daí, Redemoinho se equilibra entre o trágico, o mórbido e o cínico. Um pescador morto, que desejava um funeral marítimo, quase tem suas cinzas jogadas numa latrina, já que “tudo vai dar no mesmo lugar”. A alegre canção que Bibiane ingenuamente cantarolava em norueguês, sem conhecer o significado da letra, na verdade, era um hino de exaltação à morte e à violência. De um momento para o outro, o algoz pode se transformar em anjo salvador. Nas águas do acaso, nada é definitivo.

    Água, aliás, é o que não falta ao filme. Seja das torneiras, chuveiros, represas ou mares, ela jorra o tempo todo, emoldurada por uma fotografia que ressalta os tons de azul, da primeira à última cena. Com tanto azul, Redemoinho navega por caminhos tortos para deixar uma mensagem otimista. Uma história de erros que pode desaguar num acerto final que não requer justificativas ou explicações.
    A vida, como a água, apenas flui. Queiram os peixes ou não.

    Redemoinho ganhou cinco prêmios Genie, o Oscar canadense, nas categorias Filme, Direção, Roteiro, Fotografia e Atriz (Marie-Joseé Croze). Também levou o prêmio da crítica em Berlim.

    18 de março de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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