REDENTOR

REDENTOR

(Redentor)

2004 , 95 MIN.

Gênero: Comédia Dramática

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Claudio Torres

    Equipe técnica

    Roteiro: Claudio Torres, Elena Soárez, Fernanda Torres

    Produção: Claudio Torres, Leonardo Monteiro de Barros

    Fotografia: Ralph Strelow

    Trilha Sonora: Luca Raele, Maurício Tagliari

    Estúdio: Conspiração Filmes

    Elenco

    Camila Pitanga, Enrique Diaz, Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Fernando Torres, Jean Pierre Noher, José Wilker, Lúcio Mauro, Mauro Mendonça, Miguel Falabella, Paulo Goulart, Pedro Cardoso, Stênio Garcia, Tony Tornado

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Um homem morto no meio de um monte de lixo conta como morreu. Quantos filmes com narração póstuma você já viu? Provavelmente vários - um por semana, até. Mas aposto que nem todos são como Redentor, longa de estréia de Cláudio Torres. O filme, repleto de cenas bizarras e efeitos especiais, é um épico religioso. Mas também é uma comédia de humor negro, além de ter romance e suspense. Confuso? No papel (ou tela de computador, como é nosso caso), talvez, mas o roteiro - escrito a três mãos, de Elena Soárez, Fernanda Torres e Cláudio Torres - é muito bem resolvido.

    O protagonista da história é Célio (Pedro Cardoso). Rapaz que cresceu em família de classe média, viu o sonho da casa própria de seu pai (vivido por Fernando Torres) sendo destruído quando a empreiteira responsável pela construção do prédio onde comprara um apartamento aplicara um golpe em centenas de pessoas. Por coincidência, o dono da empresa (José Wilker) era pai de um amigo de Célio, Otávio. Mas tudo isso acontecera na infância do protagonista: no tempo presente, quinze anos depois, ele reencontra Otávio (Miguel Falabella) quando escreve uma matéria sobre a ocupação do tal prédio. Por cinco milhões de dólares, o jornalista aceita ser laranja de Otávio, mas ele enlouquece. Especialmente depois que tem a alucinação de ter visto Deus. A partir daí, o "Todo Poderoso" torna-se mais um personagem na vida de Célio.

    O roteiro de Redentor levanta questões que só poderiam estar em um filme que pretende retratar situações sociais acontecidas por aqui: durante as situações, permeiam a religiosidade e, mais do que isso, a corrupção. Não somente na administração de bens alheios, mas a corrupção da moral dos personagens. Desde o início, eles deixam sua própria ética de lado pela busca da sobrevivência: a mãe (Fernanda Montenegro) agarrada a uma mala de dinheiro; a jovem aparentemente inocente (Camila Pitanga) que se torna prostituta; o jornalista que aceita se tornar um laranja. Todos por dinheiro.

    Além de ter um roteiro atual e bem peculiar, Redentor ainda conta com um elenco de peso. Somente os nomes de Fernanda Montenegro e Fernando Torres (pais do diretor) já seriam um atestado de qualidade, mas ainda tem mais. Apesar da presença de atores consagrados pelos papéis cômicos, como Pedro Cardoso e Miguel Falabella, Redentor está longe de ser uma comédia escrachada. Não bastando, Redentor ainda conta com muitos efeitos especiais - mais do que a média, em se tratando de cinema nacional.

    Redentor é grandioso, bem trabalhado, mas sem pretensões de mudar alguma coisa. Não há um discurso moralista no tratamento da corrupção e, no fim das contas, traz aquilo que a maioria dos espectadores espera ao ver um filme: diversão.

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