REENCONTRANDO A FELICIDADE

REENCONTRANDO A FELICIDADE

(Rabbit Hole)

2010 , 91 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 06/05/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • John Cameron Mitchell

    Equipe técnica

    Roteiro: David Lindsay-Abaire

    Produção: Dean Vanech, Gigi Pritzker, Leslie Urdang, Nicole Kidman, Per Saari

    Fotografia: Frank G. DeMarco

    Trilha Sonora: Anton Sanko

    Estúdio: Blossom Films, Odd Lot Entertainment, Olympus Pictures

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Aaron Eckhart, Dianne Wiest, Giancarlo Esposito, Jon Tenney, Julie Lauren, Mike Doyle, Miles Teller, Nicole Kidman, Patricia Kalember, Sandra Oh, Tammy Blanchard, Ursula Parker

  • Crítica

    30/04/2011 09h00

    Nem parece que Reencontrando a Felicidade é do mesmo diretor de Shortbus e Hedwig - Rock, Amor e Traição. Alguém deve ter falado para John Cameron Mitchell que estava na hora de eliminar as impurezas de seu estilo e se dedicar a uma produção mais delicada.

    O senão é o que se entende pelo adjetivo “delicado”, por vezes confundido com piegas. No cinema americano, geralmente serve como pretexto para contar uma história de perda, como é o caso de Reencontrando a Felicidade. O recorrente plot educativo, que dará aos personagens a chance de aprender algo e se tornarem pessoas melhores durante o filme e, de quebra, ensinar o espectador.

    Desta vez, temos dois personagens à deriva, o casal Becca (Nicole Kidman) e Howie (Aaron Eckhart), que perde o rumo após a morte de seu filho pequeno em um acidente. A chave do filme está justamente na almejada delicadeza: quando alcançada ou pelo roteiro (de David Lindsay-Abaire, responsável também pela peça que deu origem ao longa) ou direção, é honesto com a dor dos personagens; quando exagera, apela para cânones duvidosos (a câmera lenta e a trilha constante) para manipular o espectador.

    A melhor metáfora da produção está no título original, Rabbit Hole, em referência ao buraco que Alice entra em Alice No País das Maravilhas e toma contato com o desconhecido. O mesmo local metafórico para o qual Becca e Howie após a perda do filho.

    Em seus bons momentos, Reencontrando a Felicidade é sensível. Num filme rígido e dedicado apenas a passar uma mensagem, é até bem-vinda a inserção aparentemente aleatória de personagens e situações a suscitar dúvidas no espectador. Quem é esse rapaz que Becca segue constantemente? E a pintura de um buraco com três rostos?

    Existem dúvidas a serem respondidas, mas falta silêncio ao filme, talvez porque John Cameron Mitchell esteja acostumado a entupir seus longas de música. Em Shortbus e Hedwig – Rock, Amor e Traição, a escolha é condizente com o estilo. Em Reencontrando a Felicidade não: a dor precisa maturar, ser lapidada, e o silêncio é um dos grandes aliados do cinema.

    Falta também maior equilíbrio ao elenco. Comparar o desempenho de Dianne Wiest (a mãe de Becca que também carrega uma dor do passado) com o restante dos atores é tornar evidente uma série de fragilidades. Nicole Kidman até consegue construir uma interpretação mais intimista e discreta, mas já Aaron Eckhart... Funcionou como o Duas Caras de Batman - O Cavaleiro das Trevas ou na pele do cínico porta-voz de Obrigado por Fumar. Agora, ator de veia dramática já é outra praia pela qual Eckart não transita tão bem.

    Irregular, Reencontrando a Felicidade é similar (e inferior) a muitos outros filmes com pais que precisam conviver com a perda. Nos bons momentos – surgidos especialmente na montagem – o filme tem sensibilidade. Quando sai do eixo, está mais para drama que é vendido como delicado na Sessão da Tarde.

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