REINO DE FOGO

REINO DE FOGO

(Reign of Fire)

2002 , 100 MIN.

12 anos

Gênero: Ação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Rob Bowman

    Equipe técnica

    Roteiro: Gregg Chabot, Kevin Peterka, Matt Greenberg

    Produção: Gary Barber, Roger Birnbaum

    Fotografia: Adrian Biddle

    Trilha Sonora: Ed Shearmur

    Elenco

    Christian Bale, Doug Cockle, Duncan Keegan, Gerard Butler, Izabella Scorupco, Maree Duffy, Matthew McConaughey, Randall Carlton, Rory Keenan

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Pena que as pessoas, quando vão ver os filmes, já sabem mais ou menos do que se trata a história. O ideal seria entrar no cinema sem conhecer absolutamente nada da trama de Reino de Fogo. Mas, enfim, como isso é quase impossível, vamos lá: a primeira cena mostra um garoto de 12 anos, vestindo uniforme escolar, caminhando pelas ruas de Londres, nos dias atuais. Ele entra nas obras do metrô e o espectador logo percebe que o menino é conhecido de todos os operários. Motivo: sua mãe é uma das responsáveis pela obra. O diálogo entre filho e mãe ensaia uma pequena tensão em família: boletim, bolsa de estudos, dinheiro, relacionamento com o pai. Tudo indica que o filme caminhará na direção do drama familiar. Até que do fundo das escavações foge – pasmem! – um gigantesco dragão cuspidor de fogo! E os caminhos do filme mudam completamente. Que drama familiar, coisa nenhuma! O filme é uma baita aventura!

    Um corte de 20 anos no tempo explica didaticamente ao espectador que aquele dragão que fugiu do metrô - há milênios por ali adormecido – deu origem a toda uma nova geração de dragões destruidores de humanos. E que falta muito pouco para que eles dominem o planeta completamente. Quase nada resta da civilização, conforme a conhecemos.

    O filme assume então ares de Mad Max. O garoto Quinn, agora crescido (Christian Bale, de Psicopata Americano), comanda na Inglaterra uma espécie de quartel de resistência, onde algumas centenas de pessoas, vivendo em condições medievais, fazem o que podem para sobreviver aos pirotécnicos ataques draconianos. Morrer parece ser apenas uma questão de tempo. Até que uma verdadeira infantaria de estranhos homens mais do que armados surge no lugar, pedindo abrigo por uma noite. “Eles são piores que os dragões” – diz um dos personagens. “Eles são americanos.” Estabelece-se aí um interessante paralelo com a política internacional atual. De um lado, ingleses acastelados defendendo-se do inimigo com pouco ou nenhum armamento. Do outro, americanos armados até os dentes, com alta tecnologia, pedindo apoio aos britânicos. Sobrevoando (nada é por acaso) as cabeças de ambos, destruidores dragões de fogo. Ianques e britânicos não se bicam, mas se vêem obrigados a se unir para combater Bin La... ou melhor, os dragões. E começa a guerra.

    Esta é uma das subleituras possíveis para o filme. Por outro lado, quem preferir ver Reino de Fogo apenas como uma bela aventura futurista com toques medievais também vai se divertir bastante. O filme tem uma envolvente aura de terror que os ingleses sempre souberam fazer no cinema bem melhor que os americanos. São cenas escuras, por vezes mais sugeridas que explícitas, que ajudam a compor um clima de arrepios e medo muito bem costurado pelo diretor Rob Bowman (o mesmo de Arquivo X - O Filme).

    Filmado na Irlanda, Reino de Fogo é uma superprodução de US$ 95 milhões que não conseguiu recuperar sequer a metade desta quantia nas bilheterias. Explica-se. Sua estética britânica foge dos padrões tradicionais norte-americanos, busca o gótico e não se rende aos apelos fáceis dos roteiros estudados em laboratórios hollywoodianos. Bom para o cinema, ruim pra o público em geral.

    25 de outubro de 2002
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    Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. [email protected]

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