Críticas

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RELATOS SELVAGENS

(RELATOS SALVAJES, 2014)

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23/10/2014 09h51
por Gustavo Assumpção

Relatos Selvagens, filme que abriu a 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e agora estreia em circuito comercial é um fenômeno. Aclamado pela crítica, sucesso de público (mais de 2,8 milhões de espectadores na Argentina) e postulante do país a uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o filme de Damián Szifron talvez seja uma unanimidade justamente por não fazer concessões ao espectador, revelando diante de nossos olhos sentimentos tão naturais a todos nós.

O longa é um conjunto de seis histórias, todas unidas por uma temática central: o desequilíbrio diante de situações cotidianas, o tenro limite entre civilização e barbárie. Um engenheiro vítima do sistema, um rapaz humilhado por todos que decide destruir cada responsável por sua derrota, uma mulher que descobre a traição do marido em sua festa de casamento. Exagerado, dark e muito bem escrito, o roteiro é uma prova do talento de Szifron, cineasta ainda em ascensão, mas já um dos mais promissores do cinema argentino.

A condução das histórias, todas com começo, meio e clímax muito bem definidos, mostra a maturidade narrativa do diretor. Seja quando se apoia no talento de atores consagrados (sim, Ricardo Darín repete seu trabalho sempre brilhante mais uma vez), seja quando mostra toda a qualidade estética de seu cinema, o Szifron faz opções seguras e mostra que todas as suas decisões são plenamente conscientes. A fotografia de Javier Julia (O Último Elvis) e a trilha de Gustavo Santaolalla (Diários de Motocicleta) só reiteram tal capricho.

Longas com múltiplas histórias costumam ser preguiçosos, mas aqui é está um exemplo de como uma edição cuidadosa pode contribuir para o ritmo. Mesmo sem relação entre si, a ordem imposta pela montagem trabalha com nossas expectativas, alternando desfechos óbvios e conclusões que brincam com aquilo que esperamos.

Mas nada é mais digno de elogios do que ver na tela um humor que está a serviço de algo maior. Nas entrelinhas das histórias contadas há uma certa ironia, uma fina crítica dessas situações cotidianas vividas por todos nós. Cada história nos faz pensar sobre as ações e os modos de vida de seus personagens, algo como um ponto de partida para olharmos para nós mesmos, nossas vidas e experiências.

Rápido, esperto e divertido, Relatos Selvagens tem tudo para repetir por aqui o mesmo sucesso que vem alcançando em outros países. Nem mesmo a rivalidade Brasil e Argentina pode impedir.

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