Pôster do filme Renoir

RENOIR

(Renoir)

2012 , 111 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 12/07/2013

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Gilles Bourdos

    Equipe técnica

    Roteiro: Gilles Bourdos, Jérôme Tonnerre

    Produção: Marc Missonnier, Olivier Delbosc

    Fotografia: Ping Bin Lee

    Trilha Sonora: Alexandre Desplat

    Estúdio: Centre National de la Cinématographie (CNC), Fidélité Films, France 2 Cinéma, France Télévision, Mars Distribution, Orange Cinéma Séries, Région Provence-Alpes-Côte d'Azur, Wild Bunch

    Montador: Yannick Kergoat

    Distribuidora: Europa Filmes

    Elenco

    Alice Barnole, Annelise Heimburger, Carlo Brandt, Christa Theret, Emmanuelle Lepoutre, Jean Adrien Espiasse, Laurent Poitrenaux, Michel Bouquet, Michèle Gleizer, Romane Bohringer, Solène Rigot, Sylviane Goudal, Thierry Hancisse, Thomas Doret, Vincent Rottiers

  • Crítica

    09/07/2013 17h00

    Certa feita disse Albert Einstein: "Nem tudo que pode ser contado, conta. E nem tudo que conta pode ser contado." A frase me veio à cabeça ao assistir a esse drama francês sobre os últimos anos de vida do pintor Pierre-Auguste Renoir (1841-1919). A obra do impressionista francês hoje é tangível, tem valor de mercado. Sabe-se que um quadro seu vale milhares, talvez milhões de dólares. Mas e o intangível? Aquilo que não dá para ser contabilizado, a verdadeira experiência da arte?

    Renoir, o filme, tem o mérito de resgatar o impalpável da atividade e apreciação artística no retrato que faz do pintor e de sua última musa. Viajamos a 1915 e encontramos Renoir (Michel Bouquet) aos 74 anos, com dificuldades para trabalhar e mesmo se locomover graças a uma severa artrite que o tortura. Ainda que debilitado, inspira-se a pintar nova série de nus artísticos depois da chegada da aspirante à atriz Dedee (Christa Theret).

    A presença da moça de jeito blasé e pele alva provoca uma espécie de agitação repentina na rotina da mansão campestre do pintor, tanto entre as empregadas domésticas (muitas delas ex-musas de Renoir) como entre seus filhos: Coco Renoir (Thomas Doret), o mais novo e arredio, e o jovem Jean Renoir (Vincent Rottiers), que volta para casa ferido de guerra e se deixa levar pelos encantos inebriantes da inspiração despida do pai.

    Michel Bouquet encarna com perfeição o pintor e sua paixão pela arte, particularmente quando este discorre sobre o processo artístico de criação. O intangível da arte, o olhar do artista, a beleza que emana do objeto a ser retratado. Tudo aquilo que faz alguns poucos ainda hoje ficarem inertes por minutos a fio diante de uma tela. Essa coisa que não pode ser contabilizada, mas conta, e muito, com bem disse Einstein.

    Christa Theret, por sua vez, faz de Dedee uma musa também para a câmera do diretor e roteirista Gilles Bourdos. Exuberante com seus cabelos vermelhos, pele alva e uma impressionante presença cênica. Renoir se encanta com sua formosura e o espectador também, o que o leva a compartilhar do entusiasmo artístico do pintor e entender sua inspiração repentina.

    A química que funciona perfeitamente entre Bouquet e Theret, no entanto, é falha entre ela e Rottiers. Num filme convincente sob muitos aspectos, a paixão do casal não instiga e parece desprovida da força que o filme propõe. Isso fica ainda mais evidente na segunda metade do longa, quando o foco muda do pintor para o filho, sua relação com o pai e a paixão por Dedee, que o inspirou a virar o cineasta consagrado de anos mais tarde.

    Renoir também traz um problema evidente de má exploração dos conflitos propostos, o que gera certa frustração. A trama flerta com a rivalidade sexual, inveja entre pai e filho, antigas e nova musa, para em seguida deixar de aproveitar os enfretamentos sugeridos. O principal exemplo é do personagem Coco, o filho pré-adolescente que sofre com a evidente falta de atenção do pai, mas que depois é deixado de lado na trama.

    Mesmo com esse problema de subaproveitamento do enredo, Renoir é um filme que merece ser visto pelas boas interpretações, reconstituição de época impecável e fotografia feérica. Tem-se a impressão ao longo da projeção de se estar inserido numa pintura. Aquela sensação nada tangível de contemplar a arte e tirar dela impressões próprias, assim como fez Renoir, assim como faz o bom cinema.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus