RESIDENT EVIL 4: RECOMEÇO

RESIDENT EVIL 4: RECOMEÇO

(Resident Evil: Afterlife)

2010 , 90 MIN.

16 anos

Gênero: Terror

Estréia: 17/09/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paul W. S. Anderson

    Equipe técnica

    Roteiro: Paul W. S. Anderson

    Produção: Martin Moszkowicz, Victor Hadida

    Fotografia: Glen MacPherson

    Trilha Sonora: Tomandandy

    Distribuidora: Sony Pictures

    Elenco

    Ali Larter, Boris Kodjoe, Jason O'Mara, Kim Coates, Milla Jovovich, Shawn Roberts, Spencer Locke, Wentworth Miller

  • Crítica

    16/09/2010 16h53

    Em 2001, quando Paul W.S. Anderson revelou que seria diretor de um longa baseado em game, nunca imaginei que o jogo ao qual ele se referia seria Resident Evil. Simplesmente por que não conseguia acreditar que alguém tivesse a coragem de arriscar uma história amada por fãs do mundo todo em um projeto que era quase carta marcada para despencar nas bilheterias, como aconteceu com Max Payne ou Street Fighter – A Última Batalha.

    É difícil seguir a moda de uma determinada época sem cair no ridículo. Conciliar games e cinema é uma coisa que realmente pode dar certo, desde que a dedicação sobre aquele trabalho seja executada de maneira que não se destoe da versão original. Mas aí que está: a maior dificuldade que eu vejo as produtoras encontrando com esse novo gênero cinematográfico é a quantidade de efeitos especiais que o longa precisa ter pra atingir a qualidade gráfica que os apaixonados pelos consoles esperam.

    Porém, acho que a reprodução de uma história, se bem contada, faz qualquer coisa virar mero detalhe. Daí, podemos agregar um pouco de responsabilidade aos roteiristas, que têm a missão de passar para as telas um resumo daquilo que se tem numa forma muito mais justificada. Acompanhei todos os jogos da Capcom, nos quais Chris e Claire Redfield se destacaram. São games que se aproveitam do terror psicológico para ganhar as mentes de pessoas que adoram desafios.

    A franquia Resident Evil, originalmente, chamada de Biohazard, traça um paradoxo entre a realidade de sobreviver em meio ao caos com a loucura de ver mortos-vivos vagando por aí. Jogar é viciador e, quando você já está no quarto ou quinto jogo, matar zumbis vira uma necessidade. Você precisa saber como aquela história vai acabar.

    Já a versão para os cinemas, como eu disse anteriormente, podia beirar a catástrofe, mas não chegou a esse ponto - quer dizer, quase. O que com certeza deixou algumas pessoas curiosas foi o fato de uma nova personagem, totalmente alheia ao game, ser criada: Alice. A heroína vivida por Milla Jovovich surge como um coringa de carta de baralho. Ninguém sabe por que, mas ela está lá. Não é decepcionante, apesar da surpresa. Alice é um projeto que não deu certo – para a Umbrella, claro. E Anderson mostrou que a nova fórmula da adaptação podia funcionar.

    Na verdade, acho que deu certo o primeiro longa, que serviu como uma apresentação dos fatos por trás da corporação Umbrella e seus objetivos sobre a humanidade. Mas, apesar de ter acontecido mais duas sequências, confesso que Resident Evil 2: Apocalipse e Resident Evil 3: A Extinção são totalmente dispensáveis. Apesar de a primeira produção não poder ficar sem uma continuação, levar para as telas um Nêmesis de borracha não foi uma idéia muito inteligente. Trocando em miúdos: ficou tosco. Alguns personagens conhecidos apareceram, mas, mesmo assim, ficou faltando mais sentido para a história. No terceiro, praticamente a mesma coisa. Além, de mostrarem também personagens alheios à história original.

    Mas, depois dessas fagulhas, o quarto projeto, Resident Evil 4: Recomeço, tomou um fôlego de quem estava para se afogar. Abusando de imagens em câmera lenta, à lá Matrix, Alice faz Lara Croft morder os dedos de inveja ao empunhar armas de porte respeitável e uma katana que faz osso parecer manteiga.

    A história: Alice (Milla Jovovich) continua sua jornada em busca de sobreviventes, levando-os a um lugar seguro. Sua batalha mortal contra a Corporação Umbrella atinge um novo patamar, mas Alice recebe a ajuda inesperada de uma velha amiga. Uma pista promete um refúgio em Los Angeles, mas, quando chegam lá, descobrem que a cidade está tomada por infectados, e a heroína e seus aliados estão prestes a entrar em uma armadilha.

    Com cenas de ação bem estruturadas, o diretor Paul W.S. Anderson valorizou também os principais elementos da guerra a qual a trama aborda: zumbis versus humanos. Os “monstrengos” caindo aos pedaços ficaram mais irritadinhos e mutantes. Quem jogou Resident Evil 4 e 5 vai se animar ao ver alguns dos mais importantes inimigos materializados. Como é o caso de Wesker – em minha opinião um dos melhores vilões já criados – e o monstro gigante com um martelo que, para matar, só descarregando um arsenal inteiro. Isso é um ponto fortíssimo, pois a mesma dificuldade pela qual você passa ao enfrentá-los no console, você sente na telona.

    O cenário pós-apocalíptico de Los Angeles faz a direção de arte merecer palmas. Além é claro de todos os efeitos envolvendo as lutas entre Wesker, Chris, Claire e Alice. De cachorros infectados aos poderes do indigesto vilão, tudo se encaixa muito bem com a trama proposta.

    Uma coisa que chamou minha atenção, é que, além dos personagens-chave, existe um grupo de exilados que, curiosamente, se assemelha muito a mesma equipe de outro survival horror de zumbis, Left 4 Dead. Coincidência ou não, muitos gamers poderão ter esse insight e sugerir a si mesmos que determinada cena parece conceder uma homenagem aos carismáticos exterminadores, desse outro sucesso do mundo virtual.

    Um fator também que me agradou muito foi o 3D para Imax. Confesso que nenhum outro filme, nem mesmo Avatar, de James Cameron, me projetou para dentro de uma história como Resident Evil 4: Recomeço. As cenas de ação são bem frenéticas e a quantidade de coisas jogadas sobre você é quase constante, mas isso dá exatamente a sensação de imersão que se quer se sentir ao pagar um preço considerável para sentar numa dessas salas de projeção.

    Com uma trilha sonora baseada na agressividade do new metal, o longa se sustenta muito bem durante os 90 minutos de projeção. Escolha musical justa para a tensão que a história remete. Embora seja um filme para todos que amam ação e terror, Resident Evil 4: Recomeço abusou de elementos que apenas alguns jogadores conseguirão decifrar. Porém, se a intenção foi agradar a tudo e a todos, e deixar apenas um rastro, quase invisível, dos fiascos anteriores, Paul W.S Anderson conseguiu.


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