RETRATOS DE FAMÍLIA

RETRATOS DE FAMÍLIA

(Junebug)

2005 , 107 MIN.

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Phil Morrison

    Equipe técnica

    Roteiro: Angus MacLachlan

    Produção: Mike S. Ryan, Mindy Goldberg

    Fotografia: Peter Donahue

    Trilha Sonora: Yo La Tengo

    Estúdio: Epoch Films

    Elenco

    Alessandro Nivola, Amy Adams, Amy Barefoot, Annette Beatty, Benjamin McKenzie, Beth Bostic, Carrie Daniel, Embeth Davidtz, Jamie Castlebury, Jeffrey Dean Foster, Katherine Foster, Matt Besser, Scott Wilson, Teresa Fowler, Will Oldham

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Existem alguns temas que são simplesmente inesgotáveis para o cinema. A família é um deles. Filmes que retratam problemas familiares se constituem praticamente num subgênero dentro da cinematografia mundial. Talvez algum dia as locadoras façam uma prateleira só para eles. Exemplos? Festa de Família, Parente é Serpente, Acontece nas Melhores Famílias, Família Rodante... A lista é enorme. E, como diz o ditado, "família é tudo igual, só muda de endereço". Por isso mesmo, esse tipo de roteiro sempre acaba causando uma boa identificação junto ao público, que se vê, para o bem e para o mal, retratado diretamente na tela.

    Um dos exemplos mais recentes deste "subgênero" é Retratos de Família, produção independente norte-americana que rendeu a Amy Adams uma indicação ao Oscar de Atriz Coadjuvante. Nada no filme é exatamente uma novidade. Nem o tema - claro - nem o seu enfoque, mas mesmo assim trata-se de um trabalho envolvente e intrigante que merece ser conferido.

    Três grandes e conhecidas linhas de ação são exploradas em Retratos de Família: a incomunicabilidade, o tédio, e o conflito rural/ urbano. São vertentes que vêm à tona quando a sofisticada marchand Madeleine (Embeth Davidtz) e seu marido George (Alesssandro Nivola) viajam ao interior dos EUA para conhecer o trabalho de David Wark (Frank Hoyt Taylor), um estranho pintor local, meio fora de sintonia com o mundo real, e desconhecido do grande público. Interessante que David Wark eram os dois primeiros nomes do famoso cineasta D.W. Griffith, que, assim como o personagem deste filme, também era sulista e nutria uma predileção doentia por cenas de guerra, mas esta "viagem" não vem ao caso agora.

    Como o ateliê de David é próximo à casa onde George nasceu e foi criado, o casal decide passar uns dias ali. Afinal, George não aparece há três anos no lugar e sua família sequer conhece Madeleine. É neste sítio provinciano encravado em algum lugar do conservador sul dos EUA que o filme se desenrola. Entre espantada e curiosa, Madeleine toma contato com a estranha família do marido, composta pelo pai Eugene (Scott Wilson), a mãe Peg (Celia Weston), o irmão Johnny (Ben McKenzie) e a cunhada Ashley (Amy Adams), esposa de Johnny. Logo vem à cabeça o verso de Caetano Veloso: "de perto, ninguém é normal". E, neste caso, nem de longe.

    Os interioranos recebem Madeleine com o máximo de desconfiança. A mãe Peg vive pisando na idéia de que a nora mal conhece o próprio marido. Johnny se recusa a olhar nos olhos do irmão. E o pai Eugene opta pela omissão calada. Por outro lado, a cunhada Ashley é um poço irritantemente interminável de atenções e gentilezas. Comportando-se como uma pré-adolescente, ela elege Madeleine, em segundos, sua melhor amiga, companheira, modelo a ser seguido e confidente. Quer mais? Ashley, grávida de Johnny, está empolgada por um bebê que o próprio marido não quer ter. Está armado o circo de horrores.

    Como sempre acontece neste tipo de filme, velhas pendências que pareciam esquecidas emergem novamente como sujeira escondida sob o tapete familiar. O clima é de tensão permanente. Disfarçada debaixo de uma aura de falsa tranqüilidade caipira, existe um tédio sufocado por anos a fio que pode explodir a qualquer momento. São diferenças (talvez) irreconciliáveis filmadas com segurança e talento pelo diretor Phill Morrison, a partir do roteiro de Angus MacLachlan. Curiosamente, ambos são estreantes no cinema. Duas estréias das mais promissoras.

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