Reza a Lenda

REZA A LENDA

(Reza a Lenda)

2015 , 87 MIN.

14 anos

Gênero: Ação

Estréia: 21/01/2016

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Homero Olivetto

    Equipe técnica

    Roteiro: Homero Olivetto, Newton Canitto, Patrícia Andrade

    Produção: Bianca Villar, Cauã Reymond, Cristiana Lavigne, Fernando Fraiha, Guel Arraes, Homero Olivetto, Kiki Lavigne

    Fotografia: Marcelo Corpanni

    Trilha Sonora: Rica Amabis, Tejo Damasceno

    Estúdio: Biônica Filmes, Ouro21

    Montador: Manga Campion, Márcio Canella

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Aluan Smuck, Cauã Reymond, Herberth Vital, Humberto Martins, Jesuíta Barbosa, Jonathan Azevedo, Júlio Andrade, Luisa Arraes, Nanego Lira, Nataly Rocha, Poliana Pieratti, Silvia Buarque, Sophie Charlotte, Zezita Matos

  • Crítica

    18/01/2016 15h49

    Por Daniel Reininger

    É bom ver o cinema brasileiro procurando diversificar os gêneros produzidos a fim de ir além das habituais comédias e dramas. Com isso, temos visto bons filmes de ação, como 2 Coelhos, e suspenses, como O Lobo Atrás Da Porta, mesmo que ainda incapazes de fugir totalmente das fórmulas hollywoodianas.

    Por isso, quando veio o anúncio de Reza A Lenda, longa-metragem claramente inspirado em Mad Max que marca a estreia de Homero Olivetto na direção, a torcida pelo sucesso era grande. Infelizmente, o longa falha em quase todos os aspectos e entra facilmente para a lista dos fracassos nacionais e possivelmente para a lista de piores do ano (isso que o ano mal começou).

    Repleto de referências à cultura pop, Reza A Lenda tem visual interessante ao utilizar o sertão como pano de fundo para uma história ambientada em um nordeste fantasioso. O ambiente inóspito, porém belo, e a gangue de motoqueiros liderada por Ara (Cauã Reymond) poderiam facilmente fazer parte das obras de George Miller (Mad Max: Estrada Da Fúria) e, por isso, o trailer ainda deixa algumas esperanças vivas de que, apesar da falta de inovação, podemos ter algo, ao menos, divertido.

    Ledo engano. O roteiro é raso, os personagens mal construídos e o peso da religiosidade na trama é bem incômodo, afinal é a forma fácil de tentar explicar as motivações dos protagonistas, por mais estranhas que pareçam. A história acompanha uma jovem (Luisa Arraes) que precisa viver contra sua vontade com a gangue de Ara após um acidente, paralelamente, o motoqueiro é caçado pelo vilão Tenório (Humberto Martins) pelo roubo da estátua de uma santa que pode fazer chover se for levada ao santuário correto.

    Embora ninguém convença realmente, a personagem com maior potencial é Severina, vivida por Sophie Charlotte (Serra Pelada) em um papel bem diferente do que estamos acostumados. Apesar de masculinizada, é aparentemente uma mulher forte que bate de frente com os homens desse mundo machista. Entretanto, a trama estraga tudo ao transformá-la em uma mulher ciumenta em disputa pelo amor de Ara.

    O trio amoroso já soa forçado naturalmente, mas quando se torna a questão central da personagem de Sophie essa subtrama beira o patético. E pior, vai contra a imagem forte que o cinema tem tentado construir para as mulheres no gênero ação, que tem Furiosa (Charlize Theron em Mad Max: Estrada Da Fúria) como grande exemplo.

    Ao menos, visualmente Reza a Lenda é bem feito, com bela fotografia e sequências típicas de vídeos publicitários, não à toa, afinal o diretor é filho de Washington Olivetto. Além disso, o longa possui alguns efeitos especiais de boa qualidade, como na cena com a minigun.

    Rapidamente Reza a Lenda acaba se tornando uma obra cansativa, chata mesmo, além de sem coerência e de discurso raso. A trilha sonora parece aleatória e, quando não irrita, é bastante esquecível. O mais triste mesmo é ver um grande elenco desperdiçado com personagens caricatos e diálogos inacreditavelmente clichês e enfadonhos. Como consequência, a atuação é burocrática e evidencia a falta de uma direção mais cuidadosa.

    Como esperado em um filme ambientado no sertão brasileiro, a crítica social também está presente, o problema é que ela é abordada de forma dispersa. Ficamos sem ter certeza de quais são as verdadeiras críticas do diretor, o qual também não as soube explicar com clareza durante a coletiva de imprensa do filme. Resta esperar que essa obra sirva de aprendizado para Homero Olivetto e permita que, no futuro, ele consiga entregar obras que façam jus a ideias promissoras. Pena que não foi dessa vez.

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