Riocorrente

RIOCORRENTE

(Riocorrente)

2013 , 79 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 05/06/2014

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paulo Sacramento

    Equipe técnica

    Roteiro: Paulo Sacramento

    Produção: Clarissa Knoll, Pablo Torrecillas, Paulo Sacramento

    Fotografia: Aloysio Raulino

    Trilha Sonora: Paulo Beto

    Estúdio: Olhos de Cão Produções Cinematográficas

    Montador: Paulo Sacramento

    Elenco

    Lee Taylor, Roberto Audio, Simone Iliescu, Vinicius dos Anjos

  • Crítica

    03/06/2014 12h00

    Assisti-se a Riocorrente sem a possibilidade de frouxidão intelectual. É preciso fazer um esforço mental contínuo para colher suas muitas peças jogadas inadvertidamente e delas construir um todo, que pode destoar completamente das impressões da pessoa sentada ao seu lado na sala de cinema. Não há espaço para a dispersão momentânea, para pensamentos alheios. Se sair da trama por breve momento, dificilmente embarcará de novo.

    Riocorrente não é um filme para todos os públicos. Não que seja hermético, propositadamente dificultoso. É, na verdade, urbano até a medula e dificilmente alguém que nunca morou numa cidade grande e caótica como São Paulo - onde o longa é ambientado - conseguirá ter a dimensão e compreensão do drama existencial de seus protagonistas.

    A personagem que mais encarna essa desordem que nasce da vivência na metrópole é Renata, vivida pela sempre eficiente atriz Simone Iliescu. Ela não é uma mulher simplesmente dividida entre dois amores. Seu conflito não é decidir com qual dos dois homens de sua vida ficar. Torna-se claro que é a aventura de manter romances paralelos que a motiva.

    Um deles é o jornalista Marcelo, sujeito aparentemente normal, satisfeito com sua rotina urbana, defendendo-se do entorno caótico que o cerca com a razão. Não ousa sair do trilho sem um "planejaremos isso no jantar", quando Renata, por exemplo, propõe que peguem um carro e façam uma viagem sem rumo. Ele precisa saber para onde, quando, por quê?

    Renata goza na cama de Marcelo e sua vida certinha, mas precisa do orgasmo inconsequente nos braços de Carlos, outro personagem típico do cenário urbano moderno brasileiro: homem na faixa dos 30, sem perspectivas, que tenta viver na legalidade, mas se vê forçado a cruzar a fronteira recorrentemente. Ele vê em Renata a esperança de dias melhores, mas ela sabe que Carlos não será seu futuro.

    E a ausência de Renata, fugidia, deixa claro a ele a inevitabilidade do destino obscuro que o persegue, que no filme é representado por Exu, menino de rua. Ele vagueia pela cidade cometendo pequenos delitos, mas pode ser lido como o passado de Carlos, que este tem de carregar aonde vai.

    O filme, a despeito da proposta ousada, acaba por ser conservador e um tanto óbvio em seu quarto final. Renata, a mulher, recorre ao choro. Marcelo, de pouca iniciativa, atravessa um semáforo vermelho como forma patética de se afirmar. Carlos coloca o passado que o persegue no banco de trás de um carro e literalmente queima suas frustrações para renascer das cinzas como uma fênix.

    Riocorrente é uma produção "sobre muitas coisas", como define seu autor. Difícil de explicar em palavras, quase impossível de se enquadrar dentro de um gênero e repleta de simbologias. Não há dúvidas, no entanto, que ao menos uma dessas "muitas coisas" vai te fisgar.

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