RITA CADILLAC, A LADY DO POVO

RITA CADILLAC, A LADY DO POVO

(Rita Cadillac, a Lady do Povo)

2007 , 75 MIN.

18 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 09/04/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Toni Venturi

    Equipe técnica

    Roteiro: Daniel Chaia

    Produção: Sérgio Kieling

    Fotografia: Jay Yamashita

    Estúdio: Olhar Imaginário

    Distribuidora: Espaço Filmes

    Elenco

    Carlos César, Djalma Limonge Batista, Drauzio Varella, Hector Babenco, Leleco Barbosa, Luís Andrade, Marinho, Rita Cadillac, Rogéria

  • Crítica

    08/04/2010 15h48

    Já nos primeiros momentos de Rita Cadillac, A Lady do Povo, fica muito claro que o documentário não vai falar apenas da mulher-furacão, mas também da Rita de Cássia Coutinho, suas angústias, alegrias e percalços.

    Nessa escolha, Toni Venturi (Cabra-Cega, Dia de Festa), o diretor, foi feliz. Afinal, além de já sabermos como Rita se tornou Cadillac, é sempre interessante tornar o retrato humano e desmistificado, de carne e osso, mesmo quando se trata de uma personagem que ficou conhecida justamente pelo excesso de carne, mais especificamente, de bumbum.

    Rita Cadillac, A Lady do Povo não julga Rita, o que é uma virtude. Porém, nenhum depoimento ou material de arquivo traz interrogação ou pontas abertas em torno da estrela do filme. O primeiro namorado a exalta, assim como o fazem filho Carlos César, a empresária Lourdinha, a ex-chacrete Lia Hollywood, o médico Drauzio Varella, o cineasta Hector Babenco e outros entrevistados do documentário.

    Isso não é um pedido de documentário-picuinha, mas apontar uma sensação de que o filme é um elogio linear à Rita. Sinto falta de algo que vemos em Pan-Cinema Permanente, que embarca nas loucuras de Wally Salomão, mas não aceita seu mundo de sonho como verdade constante e joga a câmera à distância para colocar seu personagem em dúvida.

    Voltando ao capítulo virtudes, Rita Cadillac, A Lady do Povo mostra uma personagem completamente consciente de quem é, onde está e o que precisa para se fazer presente. Consciência tão clara que, em certo trecho, Rita dispara: “Quem fez a Rita Cadillac foi o corpo”.

    Para uma artista que surgiu em 1975, em ditadura militar, diz muito. Tanto como expressão de um país que usava a sexualidade como válvula de escape da repressão como de um governo que poderia considerar o Chacrinha um circo que desviava a atenção do momento político.

    Do filme, podemos perceber como ela se reiventou para sobreviver à roda de produção de estrelas instantâneas. Começou se filiando na tradição das vedetes, sem precisar fazer muito, apenas “ser”. Dançou, cantou, fez shows por muitos lugares, virou musa dos presos (falando inclusive de prevenção de DSTs), protagonizou filmes pornôs e, com uma sinceridade comovente, assume que as possibilidades de reinvenção estão se esgotando.

    Com tantos nomes da vez surgindo, Rita Cadillac, a Lady do Povo nos ajuda a entender como a persona de Rita de Cássia Coutinho sobrevive por tantos anos, sendo ainda comentada. Um documentário que, felizmente, refaz os passos tanto da mulher-avião como daquela outra que acorda sem maquiagem e gosta de andar com seus dois simpáticos cachorros.

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