ROBÔS

ROBÔS

(Robots)

2005 , 90 MIN.

Gênero: Animação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Carlos Saldanha, Chris Wedge

    Equipe técnica

    Roteiro: Babaloo Mandel, Lowell Ganz

    Produção: William Joyce

    Trilha Sonora: John Powell

    Elenco

    Amanda Bynes, André Barros, Dianne Wiest, Drew Carey, Ewan McGregor, Fernanda Fernandes, Halle Berry, James Earl Jones, Jamie Kennedy, Jennifer Coolidge. Reynaldo Gianecchini, Jim Broadbent, Marina Person, Mel Brooks, Paul Giamatti, Stanley Tucci

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    O segmento de desenhos animados em longa-metragem está cada vez mais surpreendente. Procurando Nemo, Shrek (1 e 2) e Os Incríveis são animações que já podem ser consideradas clássicas. E olha que é muito difícil algum setor do cinema criar tantos "clássicos" num período de tempo tão curto. Enfrentando os poderosos DeamWorks (de Shrek, Espanta Tubarões, Fuga das Galinhas e do ainda inédito Madagascar) e Disney/ Pixar (Os Incríveis, Toy Story, Vida de Inseto, etc.), a Fox também chega para brigar neste setor extremamente divertido (e lucrativo) da indústria cinematográfica trazendo como a mais nova arma o ótimo Robôs, um desenho que segue a linha dos grandes sucessos recentes, isto é, recomendável tanto para adultos como para crianças.

    Tudo se passa numa terra onde só vivem robôs. As primeiras cenas mostram o "nascimento" de Rodney, um bebê-robô de classe média. À medida que cresce, o robozinho é obrigado a trocar de carcaça e, como sua família não é rica, usa peças usadas de seus primos. Ao se tornar adolescente, Rodney resolve ir atrás do seu sonho: mudar-se para a cidade grande e se tornar um inventor. Mas logo percebe que as dificuldades são maiores do que esperava, já que a sociedade está dominada por uma intensa febre de consumismo, na qual tudo o que é usado necessita ser imediata e cruelmente descartado.

    Aos olhos infantis, Robôs é uma fascinante viagem por um mundo mágico, colorido, com personagens bem construídos, divertidos e alucinantes doses de ação. O que já seria mais do que suficiente para recomendar o filme. Mas é quando se pensa um pouco mais sobre seu roteiro que Robôs ganha a dimensão de um clássico. Sem exageros. Chega a ser emocionante a crítica que o filme tece contra o mundo de hoje. O tema é consumismo desenfreado, que descarta sem dó nem piedade tudo aquilo que é considerado ligeiramente quebrado, sem função ou simplesmente fora de moda. Incluindo o que é possível ser consertado. Não ter (ser) o último modelo é estar fora da vida. E é claro que, sob este ponto de vista, o filme não está falando de meros robozinhos, mas sim de seres humanos, de velhos, deficientes, minorias e excluídos em geral. Os motivos comerciais justificam a instauração de uma espécie de ditadura da beleza, que exige que os novos robôs sejam brilhantes e reluzentes, e que ninguém tenha direito a peças de reposição. É o ápice de todos os sonhos de consumo: gente descartável, fora de linha.

    Escrito e dirigido por Chris Wedge e pelo brasileiro Carlos Saldanha (a mesma dupla de A Era do Gelo), Robôs já é um fortíssimo candidato ao Oscar de Melhor Desenho animado de longa-metragem do ano que vem. Isso se algo mais novo não o tornar descartável nos próximos meses.

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