ROCK BRASÍLIA - ERA DE OURO

ROCK BRASÍLIA - ERA DE OURO

(Rock Brasília - Era de Ouro)

2011 , 111 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 21/10/2011

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Vladimir Carvalho

    Equipe técnica

    Produção: Marcus Ligocki

    Fotografia: André Carvalheira

    Estúdio: Canal Brasil

    Distribuidora: Canal Brasil

  • Crítica

    20/10/2011 12h43

    Rock Brasília – Era de Ouro, novo filme do tradicionalíssimo documentarista Vladimir Carvalho (O Engenho de Zé Lins), tem força suficiente para tocar até os insensíveis à geração Coca-Cola que saiu de Brasília sem lenço nem documento e explodiu no restante do Brasil.

    Não se trata de convencimento, mas de colocar em ampla perspectiva o que significou para o cenário cultural brasileiro a molecada de rebeldia pós-punk, a maioria de filhos de diplomata, que desembocou no Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial. Rock Brasília – Era de Ouro lembra que tudo começou com a pretensão arrogante de adolescentes do início da abertura política pós-Ditadura Militar que orbitaram o grupo Aborto Elétrico.

    Verdade seja dita, não tem o mesmo talento cinematográfico de O País de São Saruê (1971) ou Conterrâneos Velho de Guerra (1991). Mas força e carisma não faltam ao documentário de Carvalho. Entrevistas pungentes, material de arquivo riquíssimo resultado de anos de imagens gravados pelo cineasta e uma saudável desmistificação do ofício cinematográfico dão a Rock Brasília – Era de Ouro uma aura graciosa e demonstram o claro potencial do documentário conversar com o público.

    Faz-se um arco dramático no enredo. Partimos da juventude que encontra no punk inglês sua válvula de escape da rebeldia até os rumos que os hoje cinquentões músicos tomaram. No meio do caminho, uma geração se encontra fora de um grande centro cultural do país e consegue amplificar sua voz além de Brasília.

    O didatismo do filme é uma bem-vinda contradição. Por um lado enfraquece Rock Brasília como cinema, sintoma que o próprio realizador parece perceber ao tenta remediar ao inserir dramatizações de uma época ou quebrar a sisudez mostrando bastidores de entrevistas. Por outro fortalece a comunicabilidade do filme para além dos convertidos pelos poemas bilaquianos de Renato Russo.

    É possível que muitos não se identifiquem com a postura dessa geração – particularmente, minhas referências de música e comportamento estão na geração anterior, a dos anos 1960, os tropicalistas e o que dali saiu. “Ó senhor cidadão/ eu quero saber/ com quantos quilos de medo/ se faz uma tradição” é uma voz com a qual me identifico, enquanto “Nas favelas/ nos Senados/ sujeira pra todo lado” me soa como algo distante.

    Porém, seria um equívoco monumental não reconhecer a força cultural do grupo vindo de Brasília e a catarse que é para uma geração as letras de Renato ou a agressividade da Plebe Rude – sem contar o contemporâneo culto juvenil à figura do líder da Legião Urbana. Mesmo que suas atitudes me soem como as de adolescentes sem verve política.

    Rock Brasília – Era de Ouro tem um punhado de maravilhosas entrevistas – em especial, as de Renato Russo, que adorava cercar-se de uma aura intelectual, e as de Philippe Seabra, vocalista da Plebe Rude. Porém, o maior momento do documentário está na cena final, quando Briquet de Lemos, pai de Fernando e Flávio Lemos, do Capital Inicial, tenta falar alguma coisa, entre prantos, sobre ver os filhos voltarem à cidade consagrados como músicos.

    “Não dá para dizer nada. Essa geração ensinou muitas coisas a nós, os pais”.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus