Cartaz - Roda Gigante

RODA GIGANTE

(Wonder wheel)

2017 , 101 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 28/12/2017

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Woody Allen

    Equipe técnica

    Roteiro: Woody Allen

    Produção: Edward Walson, Erika Aronson, Letty Aronson

    Fotografia: Vittorio Storaro

    Estúdio: Amazon Studios, Gravier Productions, Perdido Productions

    Montador: Alisa Lepselter

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Bobby Slayton, Danielle Ferland, David Krumholtz, Debi Mazar, Ed Jewett, Geneva Carr, Gregory Dann, Jack Gore, Jacob Berger, Jenna Stern, Jim Belushi, John Doumanian, John Mainieri, Juno Temple, Justin Timberlake, Kate Winslet, Maddie Corman, Max Casella, Michael Striano, Michael Zegarski, Nico Petrosino, Robert C. Kirk, Steve Schirripa, Tom Guiry, Tommy Nohilly, Tony Sirico, Ziada Zienna

  • Crítica

    21/12/2017 18h17

    Por Iara Vasconcelos

    Todo filme de Woody Allen que se preze precisa ter algum desses elementos: Humor sarcástico, personagens cinicos e niilistas, romances complexos e belas paisagens que se tornam quase um protagonista à parte.

    Apesar das fórmulas, não dá para dizer que todos os filmes do diretor são iguais. Dentre obras marcantes como Manhattan, Noivo Neurótico, Noiva Nervosa e Blue Jasmine, temos longas descartáveis como Homem Irracional e Café Society. As linhas que definem um bom filme de Allen de um ruim são bem tênues, afinal todos possuem características em comum que fazem parte do modus operandi de sua filmografia, entretanto são nos pequenos detalhes que ocorrem os grandes deslizes.

    Continuando sua missão de lançar um filme por ano, allen buscou em Roda Gigante um tom mais visceral com a tragicomédia sobre uma dona de casa infeliz com o casamento e à beira de um ataque de nervos que encontra alento nos braços de um garotão.

    Roda gigante pode ser considerado uma evolução em relação ao insosso Café Society, e a falta de química do casal formado por Jesse Eisenberg e Kristen Stewart, entretanto está longe de ser o que esperamos do diretor - e ainda esperamos algo?

    Allen ama explorar cidades como se fossem um personagem próprio. Aqui, a escolhida foi a colorida e nostálgica Coney Island dos anos 50, com suas cores vibrantes, seus parques de diversões e letreiros luminosos. Esse aparente lugar dos sonhos se torna um verdadeiro inferno para Ginny (Kate Winslet) e aumenta ainda mais suas crises de enxaqueca, já não bastasse o estresse com seu marido alcoólatra e chauvinista e seu filho piromaníaco.

    Amargurada por ter abandonado o sonho de ser atriz para trabalhar como garçonete, ela acaba se envolvendo com o jovem e vistoso Mickey (Justin Timberlake), salva-vidas da praia local. A relação oferece a ela uma espécie de escapismo e lhe dá uma nova perspectiva sobre o futuro.

    Entretanto, o romance recebe um banho de água fria depois que o salva-vidas caí de amores por Carolina (Juno Temple), a jovem enteada de Ginny que veio a Coney Island para fugir de seu ex-marido mafioso. Isso acaba despertando sentimentos de inferioridade e inveja na garçonete e intensifica os conflitos entre as duas.

    Winslet incorpora bem o papel de mulher neurótica, quase como uma granada prestes a explodir. Temple também convence com o ar ambíguo de ninfeta conquistadora e mulher madura. Entretanto, Timberlake soa artificial e o peso de narrar toda a história não lhe cai tão bem.

    Boas atuações (e algumas más) à parte, Roda Gigante deve ter um dos piores diálogos da carreira de Allen. No longa não faltam frases de efeito ruins e um roteiro cheio de subtramas que acabam sem desfecho.

    A impressão que temos é a de que Allen está só cumprindo tabela durante os 100 minutos de filme. O filme conta com personagens extremamente impopulares, com os quais não conseguimos nos identificar ou empatizar, e um roteiro banal justificado no puro Schadenfreude*.

    Mas nem tudo está perdido. A presença da dupla Tony Sirico e Steve Schirripa, gângsters da série Os Sopranos que também interpretam mafiosos no filme, é uma ótima jogada cômica e quase um easter egg para aqueles que acompanharam o seriado.

    Roda Gigante é a maior prova de que Allen não tem mais o fôlego de antes. Apesar do legado inquestionável, o cineasta parece ter entrado em um looping de autorreferência que já não funciona mais.

    * Termo alemão usado para descrever o sentimento de alegria diante da desgraça alheia.

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